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Panorâmica de Maragogipe
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segunda-feira, 1 de setembro de 2025

A VIDA DE SÃO BARTOLOMEU

 


   O novo e-book publicsdo é a reprodução de um folheto, muito antigo, encontrado em meu arquivo pessoal. Esse material é mais uma colaboração nossa no sentido de ilustrar a mente dos que ainda teimam em mudar a feição tradicional da nossa festa maior. Chamo atenção para a linguagem que era utilizada quando o redator se referia ao nosso Padroeiro. Leiam e tire suas conclusões.  

    Aguardem a publicação de um outro folheto intitulado: O CULTO DE SÃO BARTOLOMEU em Maragogipe. A demora é só enquanto terminamos a recuperação do original.

SET/2025/BJ.


domingo, 5 de maio de 2024

ANOTAÇÕES DIA DA FESTA

 

Recorte de velha anotação  sobre a festa do Padroeiro da Cidade das Palmeiras

 

“Do dia da Festa

 

A festa do Apostolo S. Bartholomeo se fará no seu próprio dia 24 de agosto de 

cada anno, ou n’aquelle em que por deliberação da Meza, esta assertar deve

ser, para o que, um mez antes da mencionada Festividade, se reunirá a dita

Meza na Sacristia, ou Consistório da sua Matriz, afim de tratar sobre tal

objeto, a respeito do qual deverá ter em vista, que esta solenidade se faça

sempre que se possa com Novenas, exposição do Santíssimo Sacramento no

dia da Festa, Missa cantada, Sermão e Procissão a ́tarde, pelas ruas d’esta Cidade, preparando-se com o maior ornato o Altar-Mor, Throno, e armação na Igreja, no qual assistirão todos os Irmãos com suas capas e tochas, e de tarde acompanharão a Procissão do mesmo modo, na qual segurarão nas varas do palio.”

 

In ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. Inventário dos documentos do Governo da Província. II Parte. Seção de Arquivos coloniais e provinciais. Correspondência recebida de Vigários de diversas freguesias. Irmandade de São Bartolomeu de Maragogipe. Maço: 5260.

(Mantida a grafia da época)

 

APROVAÇÃO DO COMPROMISSO

O arcebispo da Bahia dom ROMUALDO ANTÔNIO DE SEIXAS foi quem aprovou na forma de lei o Compromisso da irmandade de São Bartolomeu, padroeiro da  Igreja Matriz da cidade de Maragogipe, no dia 11 de setembro de 1851.

In mesmo documento.

 

 

 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

ROMARIAS EM MARAGOGIPE

 

ROMARIA

 O costume de realizar romaria nas festas religiosas nos parece, salvo melhor informação, que é costume advindo da tradição portuguesa. A romaria  era motivo de alegria nas celebrações religiosas, em especial no período das festas do Padroeiro São Bartolomeu.

 Em Maragogipe o costume de realizar romarias na época das festas de São Bartolomeu vem de muito longe. E mesmo durante o ano as romarias eram realizadas com muita animação. Contado era o dia em que não aparecia um grupo numeroso de cavaleiros e amazonas, vindos da zona rural, para a realização de romaria ao santo Padroeiro da Terra das Palmeiras.

 No local onde hoje existe um antigo posto de combustíveis, no Largo da Matriz,  existia até o início dos anos 80 do século passado um frondoso pé de oiti. Sob a bondosa sombra do oitizeiro os animais eram amarrados e os rurícolas se dirigiam à matriz para suas orações, preces e agradecimentos e em seguida em grupo cantavam louvores ao santo dando voltas em torno da igreja num espetáculo de rara beleza e demonstração de fé e devoção.

 Terminadas as orações retornavam para suas regiões e lá então havia a segunda parte das comemorações com muita música, bebidas, farta distribuição de comida num ambiente bastante animado.

 Ainda temos espalhadas no só pelo Estado da Bahia, mas por todo o Brasil, paróquias que mantem a tradição das romarias só que, por força do progresso, são romarias utilizando-se as estradas de rodagem e ônibus bastante confortáveis.

 Pena não termos mantido a tradição das romarias em agradecimento por uma graça ou milagre alcançados ao nosso Padroeiro SÃO BARTOLOMEU.

 Abilio Ubiratan

Out/2021


Texto escrito em momento de recordações.

domingo, 26 de novembro de 2023

QUE É TRADIÇÃO?

 O BANDO ANUNCIADOR EM TEMPO DE PANDEMIA 

Por Benedito Jorge C. de Carvalho

Para os amigos que nunca sairão das minhas lembranças.

Pelo segundo ano consecutivo, por força da pandemia, não tivemos a realização do Bando Anunciador da Festa de São Bartolomeu, como manda a tradição. Diante dessa situação me fizeram a indagação: que é uma tradição? Em se tratando de religião podemos afirmar que é uma forma de manter os costumes e a cultura de uma determinada religião para as futuras gerações. O exemplo mais palpável que temos é aquele que aconteceu, em 1989, quando deixou de existir mesa administrativa da citada irmandade e a festa passou a ser feita por uma comissão de festas e serviços paroquiais. Como foi uma mudança brusca a população levou um choque, protestou por um tempo, mas aos pouco de adaptou ao novo feitio para a realização da festa e, apesar dos protestos, seguiram-se os novos rumos. 

Bom que os dirigentes atuais da igreja e da diocese estão retornando à velha tradição e reorganizando as irmandades tradicionais, no nosso caso irmandades de mais de três séculos, buscando retomar velhas tradições religiosas que nunca deveriam ter sido mudadas porque dão mais solenidades às celebrações e mantém viva a nossa cultura, que convenhamos, não deve ser mudada ao bel prazer de uma pessoa ou pequeno grupo de pessoas que acham que “tradição se acaba uma e se cria outra” sem nenhum compromisso com a história. Caso seja adotado pensamento tão simplório logo tudo estará mudado e a originalidade e beleza de nossas tradições estarão sepultadas, e porque não dizer, jogadas no esquecimento.

Aproveitamos ainda nesse pequeno comentário para lembrar outra mudança introduzida no nosso bando anunciador. Quem se lembra de quando o bando deixou de ser realizado às 4 horas da tarde e passou para ser realizado às 9 horas da manhã? Se não me falha a memória em 2014, apesar de existir a mistura da Comissão de Festas e Funcionários da Prefeitura, desde 2001, cada qual com sua camiseta alusiva ao evento. Pois bem, por que somente em 2013 viram que tal mistura não era boa para o propósito da festa? Aqueles que registram nossas festas em fotografias terão as respostas comparando as duas épocas.

Para que o presente comentário não fique muito grande e ganhe feição de artigo de jornal vamos encerrar transcrevendo o que colhemos num dos livros do historiador Osvaldo Sá a propósito da realização do Bando Anunciador da Festa de São Bartolomeu: 

“Ás 4 horas da tarde reuniu-se o bando no largo do Saboeiro e daí, tendo na frente um carro condignamente ornamentado, aonde iam os músicos, partiu ele a percorrer as diversas ruas, como é praxe, marchando duos a duos, na melhor ordem possível, sendo nesta ocasião distribuído o programa pelas famílias que se achavam nas janelas e mais pessoas que o desejaram.” Ainda em outro trecho: “O número de mascarados que percorreram as ruas, foram regular, alguns se distinguiram pela originalidade dos trajos, e outros pela boa montaria”.

(O registro acima foi feito pelo Jornal a Situação, editado em nossa cidade, do dia 09 de agosto de 1879. Mantida a grafia original da época). 


sábado, 22 de julho de 2023

 REGISTRO HISTÓRICO


Um registro de como era escrito o PREGÃO da Festa de São Bartolomeu de Maragogipe. Nessa cópia, de um dos antigos pregões, nota-se  a presença de versos que enriqueciam  o seu significado além de dar beleza ao mesmo. tudo em honra ao nosso Padroeiro.



Num momento em que muitas mudanças estão sendo propostas publicamos este folheto do PREGÃO de 1990 para que as mudanças que pretendem fazer não venham a modificar um dos eventos tradicionais da Festa de São Bartolomeu. É bom atentar para maneira como o mesmo era elaborado cheio de versos que se referiam ao evento com doçura e encantamentocom relação ao nosso Padroeiro que é e sempre será a razão maior de nossa fé.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O PREGÃO

Recebi do jovem Fernando Peixoto (Fernandinho) uma foto do pregão do ano de 1975 e publico aqui para que outros conheçam os vários estilos ao longo dos anos. Veja a seguir:


Nosso agradecimento pelo gesto do jovem Fernandinho. 



sexta-feira, 7 de julho de 2023

PREGÃO DA FESTA DE SÃO BARTOLOMEU - 2023

 Cumprindo velha tradição a Irmandade de São Bartolomeu de Maragogipe realizou o tradicional PREGÃO da Festa de 2023. 



FESTA DE SÃO BARTOLOMEU DE MARAGOGIPE 2023

PREGÃO

A Mesa Administrativa da Irmandade de São Bartolomeu, em obediência à tradição de mais de trezentos anos, por meio deste PREGÃO avisa a todos os devotos do glorioso SÃO BARTOLOMEU que o mês devocional de agosto está próximo e durante o mesmo serão realizadas, uma vez mais, as festividades em louvor ao nosso amado Padroeiro.

Apregoando a proximidade do mês maior na história religiosa e cultural de Maragogipe conclamamos todos os devotos para os preparativos visando a realização de um período de festa com muita fé e devoção. As celebrações religiosas, centro de todos os eventos, serão de rara beleza e respeito às tradições e que terão como propósito maior divulgar a palavra e os ensinamentos de CRISTO.

Para tanto estejamos todos com o coração transbordando alegria e aguardando a chegada do primeiro domingo de agosto. Nesse dia todos conhecerão a programação oficial que será distribuída pelo tradicional BANDO ANUNCIADOR. O calendário religioso e profano chegará aos maragogipanos e terá início o ciclo de festas para glorificar aquele que nossos maiores escolheram para PADROEIRO da Cidade das Palmeiras.

Assim, estejam todos a postos!  Que todos  fiquem cientes de que o nosso Padroeiro, que acolhe nossas súplicas e atende nossos pedidos, espera que não somente no seu mês de festas, mas  em todos os meses estejam todos sempre com os corações cheios de alegria, amor e esperança  para que Maragogipe permaneça  na fé em CRISTO e então possamos viver plenamente na harmonia a na paz. 

Viva SÃO BARTOLOMEU!

A Mesa Administrativa.

 

 JUN/2023/BJ

sábado, 20 de agosto de 2022

BANDO novas informações

Semana passa foi realizado mais um Bando Anunciador da Festa de São Bartolomeu de Maragogipe. Pesquisando sobre o assunto encontramos um pequeno texto que achamos capaz de enriquecer o que já publicamos a respeito do "bando". Leiam a seguir:

"Bando


Os bandos fazem parte da legislação ultramarina portuguesa, tendo sido usados nomeadamente no Brasil, em Angola, Moçambique, Goa e Timor, com maior frequência desde meados do século XVII. Eram ordens, éditos ou decretos emitidos pelas autoridades coloniais locais, principalmente os governadores e vice-reis, por vezes também pelos senados das câmaras. Eram registados por escrito, mas distinguiam-se especialmente por serem afixados e lidos em voz alta nos lugares públicos, sendo a sua leitura acompanhada do som de caixas e tambores, e de todo um cerimonial concebido para produzir efeitos de poder junto das populações. Eram também uma forma de anunciar eventos. Esta modalidade de comunicação de normas, ordens e proibições, que correspondia na Europa a uma tradição antiga, provavelmente romana, já era usada em Portugal, pelo rei e por outras autoridades, desde pelo menos o século XV, tendo sido transplantada para o império. Os bandos são uma fonte imprescindível para o estudo da administração colonial, incluindo as matérias relacionadas com a terra o território. [A: Cristina Nogueira da Silva, 2016]


Bibliografia: Magalhães 1910; Martins 2015; Roque 2012; Xavier 1840.

doi: 10.15847/cehc.edittip.2016v008"


sexta-feira, 15 de abril de 2022

O PADROEIRO de Maragogipe


SÃO BARTOLOMEU

     A devoção a São Bartolomeu erm Maragogipe começou com a chegada do colonizador português Bartolomeu Gato, no ano de 1643, data em que começou a construção da Igreja Matriz de São Bartolomeu.
    A suntuosa igreja, recentemente restaurada pelo IPHAN, continua sendo o ponto de referência para aqueles que buscam enveredrar pelos caminhos da história de Maragogipe. Sem dúvida ela é o nosso marco zero. 

domingo, 1 de agosto de 2021

BANDO ANUNCIADOR

 


Para todos os devotos do Ínclito Padroeiro São Bartolomeu

Hoje dia 1º de agosto, por ser o primeiro domingo do mês, conforme nossas tradições é dia da realização do tradicional Bando Anunciador da Festa de São Bartolomeu. Mas como ainda estamos vivendo as restrições sanitárias da pandemia do covid a população local e os devotos do nosso Padroeiro tomarão conhecimento do programa das celebrações religiosas que serão realizadas no mês devocional de forma digital.

Tudo na vida sofre modificações. Costumes e festas não escapam dessas mudanças, pequenas que sejam. O bando que anuncia “as festas de São Bartolomeu” já não é o mesmo desde sua origem em tempos bem distantes. Na sua essência algumas alterações foram feitas mantendo-se a data de sua realização sempre no primeiro domingo de agosto. O costume antigo de vir pegar o programa da festa usando animais de montaria, num município que já nasceu com mais de 500 km2 de extensão, cedeu lugar à presença de motos e carros, pois hoje há estradas por toda parte, bem diferentes dos tempos antigos onde só existiam caminhos e picadas. Os cavaleiros e amazonas que hoje tomam parte na cavalgada nem de longe lembram os do passado.  A começar pelas montarias que em nada lembram os cavalos daquele tempo sem linhagem e sem pedigree. Os animais de hoje são de raça, com pedigree, orgulho dos seus proprietários. Outro aspecto são as disputas que não mais existem. Os animais são preparados apenas para apresentações que destaquem o porte, a pelagem e a maneira de andar. Numa rememoração do que foram os “bandos” de antigamente, vejamos o que registrou o Jornal a Situação, editado em nossa cidade, do dia 09 de agosto de 1879:

“Ás 4 horas da tarde reuniu-se o bando no largo do Saboeiro e daí, tendo na frente um carro condignamente ornamentado, aonde iam os músicos, partiu ele a percorrer as diversas ruas, como é praxe, marchando duos a duos, na melhor ordem possível, sendo nesta ocasião distribuído o programa pelas famílias que se achavam nas janelas e mais pessoas que o desejaram.” Ainda em outro trecho: “O número de mascarados que percorreram as ruas, foi regular, alguns distinguiram-se pela originalidade dos trajos, e outros pela boa montaria.” (mantida a grafia original da época).

É bom salientar que para a realização dessa manifestação popular, as casas e suas gentes se enfeitavam. Cada um dentro dos seus recursos procurava melhor se apresentar em traje que lhe desse uma modesta aparência festiva. Na oportunidade misturavam-se os poderosos e endinheirados, gente do povo, operários, lavradores, pescadores, marisqueiras todos buscando melhor demonstrar seu contentamento pela realização das festividades caprichosamente devotadas ao seu Patrono São Bartolomeu.

Depois de cumprir o desfile pelas ruas da cidade distribuindo o programa da festa, objetivo principal, o cortejo se dirigia até a entrada da Matriz e ai em vivas e evocações de júbilo, o povo aglomerado rendia suas homenagens ao Santo Apóstolo, enquanto que as filarmônicas presentes executavam seus últimos dobrados e no ar os foguetes espocavam encerrando o evento preparatório da festa do padroeiro.

No mais, que tudo seja em honra e glória ao nosso Padroeiro SÃO BARTOLOMEU.

Benedito Jorge Carneiro de Carvalho

 

quarta-feira, 14 de abril de 2021

ASSIM NASCEU UMA DEVOÇÃO


O primeiro colonizador português das terras onde hoje está a cidade de Maragogipe foi Álvaro da Costa, filho do 2º Governador Geral Duarte da Costa (1553-1558) que recebeu a sesmaria de Peroaçu para nela instalar os primeiros engenhos de açúcar. O novo colonizador não logrou êxito em seu intento e a sesmaria ficou esquecida por quase cem anos. No ano de 1640 outro português, de nome Bartolomeu Gato, adquiriu a posse e propriedade da sesmaria de Peroaçu e tão logo tomou posse mudou o padroeiro do lugar que passou a ser São Bartolomeu, nascendo assim a devoção que venceu os anos e chegou aos nossos dias.

A Freguesia de São Bartolomeu foi criada em 1649 segundo o historiador maragogipano Osvaldo Sá. Já outro historiador Carlos Ott diz que a Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe foi criada em 1640. Mas, no livro de registro das freguesias de nº 63, Laboratório Reitor Eugenio de Andrade Veiga a criação da freguesia só ocorreu em 1676 por ocasião do desmembramento da Freguesia de N.S. da Ajuda de Jaguaripe, o que deixa o assunto controverso.

Escolhido o novo padroeiro, o colonizador Bartolomeu Gato tratou de construir uma grande e majestosa igreja para o santo de sua devoção São Bartolomeu. Ai então nasceu a devoção a são Bartolomeu de Maragogipe no ano de 1640. Uma devoção que é maior que tudo. Uma força capaz de vencer dificuldades; capaz de dar força e vitalidade ao  povo bom o hospitaleiro dessa cidade, tornando-o alegre e solidário.

Dessa forma antes de ser uma unidade político-administrativa, vila ou mesmo cidade,  Maragogipe foi Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe, por proposta do Vice-rei  Dom José de Mascarenhas, Marquês de Montalvão, no ano de 1640. E somente a partir de 1724 quando Maragogipe passou à condição de Vila da Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe, passou a ter as autoridades costumeiras, ocasião em que teve inicio a  construção da Casa de Câmara e Cadeia, marco histórico da cidade,  inaugurada em 1727.

Uma informação última que  também deve ser destacada é que a Irmandade de São Bartolomeu foi fundada em 1851 e a festa do Padroeiro  antes da existência da irmandade, foi sempre feita pela população local que escolhia  entre seus habitantes o mais destacado, considerado  piedoso e probo, a quem cabia coordenar a realização da festa.

 

Benedito Jorge C. de Carvalho

JUL/2018/BJ

  

terça-feira, 30 de março de 2021

Ataque à Igreja de Bartolomeu


 

    Desde a sua chegada a Maragogipe em 1640, Bartolomeu Gato tinha o objetivo de construir uma igreja para nela entronizar o santo que lhe emprestava o nome e para isso usaria todo seu prestígio de novo dono do lugar para concretizá-lo.

    Os engenhos de açúcar foram surgindo e a Sesmaria cada dia crescia e sua prosperidade era já bastante visível.

    Escolhido o novo padroeiro a notícia se espalhou rapidamente e as primeiras providências foram tomadas para o início da construção da nova igreja prometida. No povoado as conversas giravam sempre em torno da grande construção iniciada. Ocorre que as coisas, desde sempre, nunca ocorrem como são esperadas.

    O sítio no qual o novo colonizador se estabeleceu com sua comitiva lhe dava uma visão ampla da região, por estar num ponto elevado e centralizado. Todavia, essa localização também favorece aos que estavam fora perceber qualquer modificação na paisagem. 

    Assim, à medida que a construção da igreja de São Bartolomeu vai tomando forma e ganhando altura e começa a sobressair sobre a copa das árvores passa a ser notada de longe e isso chamou a atenção dos índios da tribo dos guaens que habitavam as imediações de Capanema e pescavam no rio Guai que corre em direção ao encontro com o Paraguaçu. Certo dia notaram como que um monstro saindo do meio da copa das árvores e entre amedrontados e curiosos,  em grupo, vieram verificar o que estava ocorrendo e tomando conhecimento da obra da igreja resolveram atacá-la e aí então travou-se uma luta entre os índios e os trabalhadores da construção da igreja, sendo estes comandados pelo filho único de Bartolomeu Gato de nome Gonçalo, de apenas 32 anos. Durante a peleja o jovem saiu mortalmente ferido no peito,  vindo a falecer uma semana depois. Esse acontecimento deixou a família Gato muito abalada, especialmente D. Isabel, esposa do colonizador  e mãe do indigitado rapaz. O colonizador então  diante do sofrimento da esposa e da perda de seu único filho, prometeu que tão logo a igreja ficasse pronta eles iriam embora e a partida do grande colonizador aconteceu em 1658, portanto depois de pronta a igreja como o IPHAN consignou no termo de tombamento.

A primeira igreja

Foto ilustrativa da internet
 


    A primeira igreja de Maragogipe foi feita de pau a pique e coberta de palhas, isso tão logo os primeiros colonizadores aqui se estabeleceram na época da doação da Sesmaria de Peroacu a Álvaro da Costa, filho do 2° Governador Geral Duarte da Costa. Relatos da época apontam que o padroeiro instalado na modesta capela foi São Gonçalo do Amarantes, substituído depois que Bartolomeu Gato adquiriu a Sesmaria, em 1640,  e nela se instalou com sua família e serviçais, tendo prometido a construção de uma bela igreja se o padroeiro fosse mudado para São Bartolomeu, santo que lhe emprestava o nome.

    Até se efetuar a troca  do Padroeiro, surgiu muito falatório e muita estória,   motivando consequentemente o aparecimento das lendas. Quem nunca ouviu falar no aparecimento de uma imagem em um descampado da área onde está atualmente a matriz? Pois é, e aquela outra do aparecimento de um homem moreno, alto, cabelos cacheados lhe caindo aos ombros, feições delicadas, corpo rubro como que banhado em sangue, sobre uma pedra,  tendo na mão direita um facão, visão contada pelos escravos quando iam para o eito da cana? Foram essas lendas que reforçaram o desejo de mudança de padroeiro por parte do novo proprietário Bartolomeu Gato e o seu compromisso de para ele construir uma grande e bela igreja, empreitada iniciada em 1643 e terminada em 1658, segundo o IPHAN (vide Termo de Tombamento).

    Certo é que o padroeiro foi trocado e a igreja com muito trabalho e muita luta foi construída para alegria dos maragogipanos, reinando nela há mais de trezentos anos o querido e venerado São Bartolomeu, nosso querido padroeiro.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Magrinho, magrinho

  

O tempo não para e  por essa razão tudo está sujeito a se gastar ou envelhecer. Na década  de 60, a imagem de São Bartolomeu, castigada pelo tempo, estava bastante desbotada e com sinais de envelhecimento, foi então que a população de Maragogipe,

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

DEVOÇÃO E FÉ


         Numa manhã, quando iam para o eito, os trabalhadores viram sobre uma pedra  uma visão radiante de um  homem esbelto, cor acobreada, feições delicadas, tendo à mão direita uma adaga e com o corpo todo ensanguentado. Essa notícia rápido correu o povoado. O novo dono do lugar logo decifrou a visão: “trata-se da imagem de São Bartolomeu”. Os moradores concordaram em adotá-lo como patrono do lugar. Então foi escolhido um local onde seria erguida uma grande e majestosa igreja. As obras da nova construção foram iniciadas de imediato e todos concorriam da forma como podiam para a concretização da empreitada. Mas, os recursos eram poucos e então foi solicitada a colaboração do Reino de Portugal que destinou 70 contos de réis de ajuda até a Igreja ficar pronta. Foi assim que tudo começou. São essas recordações avoengas que não podem calar, sobretudo porque isso tudo é história e história é vida. É a vida dos nossos antepassados que viveram essa fé. Uma fé tão profunda que até os mais letrados encontram dificuldade para bem definir o quanto ela representa na vida de cada maragogipano, pois os moradores desta terra sempre tiveram por seu Padroeiro – SÃO BARTOLOMEU, um amor puro e profundo.

Do Bando Anunciador até a procissão (na última segunda-feira do mês de agosto) tudo será festa. A lavagem do templo, com água e sabão, carinho e devoção, representa o ato preparatório para as celebrações que já trazem em si o quanto vai em cada mente e em cada coração de dedicação ao seu Patrono. No novenário, a igreja cheia, mãos contritas e levantadas implorando a misericórdia divina é sempre um clamor de fé de muitas “almas ... reunidas...” que imploram ao seu Padroeiro, especialmente paz e concórdia, sem perder  o foco no maior de todos os mandamentos “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Na aurora do dia 24 de Agosto, dia maior porque é o dia do nosso Padroeiro – SÃO BARTOLOMEU, nosso pároco celebrará a missa solene das cinco horas da manhã. Essa celebração é ímpar na história das celebrações religiosas. Na homilia, o Pregador recordará o exemplo do apóstolo Bartolomeu. A mensagem do Santo Evangelho lembrará a necessidade que temos de seguir o exemplo do nosso Ínclito Padroeiro e buscará uma definição para o traço que liga o povo de Maragogipe ao seu santo Patrono. Um povo que em meio a tudo não perde a fé, acredita nos seus irmãos e por isso se sente gratificado e feliz por “acordar mais cedo para mais cedo poder louvar seu Padroeiro” como bem disse um dia nosso querido Pe. Sadoc.

Em meio a orações, hinos, cânticos e louvores, faremos “nossas orações fervorosas” chegarem ao nosso Padroeiro – SÃO BARTOLOMEU que é e sempre será nosso guia. Aquele que não permitirá que o desânimo se abata sobre seus filhos e que todos irmanados no verdadeiro espírito de fraternidade mantenham sempre no coração a semente do amor. Todos estarão a postos para receber sua benção quando Ele deixar sua Matriz para percorrer os quatro cantos da cidade, em solene procissão, e deitar sobre cada um de seus filhos o olhar paternal de proteção, encerrando assim, de forma apoteótica, mais um ciclo de festas. Nessa hora, com todas as forças do nosso ser,  entoaremos o mais expressivo hino de jubilo que houver em nossos corações por termos gozado mais uma vez dos dias venturosos de orações, cânticos, alegrias, e tudo que houver concorrido para fazer das tradicionais “festas de Agosto” o testemunho de que Maragogipe é Terra de SÃO BARTOLOMEU!

Abilio Ubiratan/ago2012.