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Panorâmica de Maragogipe
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

VILA DE CAPANEMA


 Atendendo a curiosidade de um amigo ai está o post quer publicamos no instagram a respeito do nome da sede da Vila do Guaí.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

OS ALEMÃES E A ARQUITETURA DE MARAGOGIPE

 

 

Falar na arquitetura de Maragogipe no momento é  “como malhar em ferro frio”.  Há muito tempo assistimos a derrubada do nosso acervo arquitetônico e nada acontece, mesmo porque é costume antigo em nossa velha cidade se fazer modificações nos imóveis e até a derrubado total e os órgãos locais não tomam conhecimento, pois não há pedido de licença para reforma ou demolição.

O maior exemplo está na Rua Nova do Comércio, primeira rua da cidade, atualmente conhecida como D. Geni de Morais toda descaracterizada. Em outras ruas mais novas a sanha de modernismo é a mesma, velhos casarões vão sendo demolidos e a cidade vai ganhando uma arquitetura quadrada, dando ares de modernidade às novas fachadas sem nenhum vínculo com o nosso passado colonial.

Nessa onda modernizadora escapam os prédios que foram construídos pelos alemães de Dannemann e Suerdieck, no auge da era industrial dos charutos. É por isso  que temos vários prédios espalhados pela cidade e que embelezam o ambiente urbano e que resolvemos destacar:

Prédio situado na Rua Bernardino Borges, local onde funcionou por muito tempo a clinica São Bartolomeu e a Secretaria de Saúde de Maragogipe.  Construído pelo Alemão Gherard Meyer Suerdieck era conhecido da  população local  como Vila Suerdieck.

Ainda na mesma rua temos outra construção feita pelo alemão John Schinks, situado quase em frente ao prédio da antiga vila Suerdieck.

Na Rua D. Antônio Macedo Costa temos dois belos imóveis. O da família do saudoso Oscar Guerreiro, construído  pelo alemão Kurt Wippermann e outro no final da mesma rua, em frente à Ladeira São Pedro  que muitos pensavam que era alemão seu construtor, mas o Sr Eloy da Silva era brasileiro só que falava fluentemente alemão, daí a confusão.

Na Rua Júlio dos Santos Sá tem outro casarão, onde hoje está a sede da FUNDAÇÃO OSVALDO SÁ, pertencente aos herdeiros do historiador Osvaldo Sá, construído pelo alemão: Karl Kasperral.

Já os alemães da firma Dannemann  residiram no sobrado que pertence ao Sr. Manoel da Venda, na Travessa Capitão Mor, não temos notícia quem foi seu construtor.

Ai temos mais um resumo de anotações antigas sobre a  nossa terra e que pulicamos para aqueles que admiram nossa história.

Abílio Ubiratan

NOV/2025/bj

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

AGORA É LEI

 Aqueles que mesmo sabendo que estavam errados, por pirraça, gravavam o nome de nosso município com  J vão ter que mudar para a grafia correta com G como estabelece  a reforma ortográfica de 1942 e Lei proposta pelo nobre Vereador Marcelo Borges. 

Para esses reformistas resta o consolo de escrever o nome maragojipe quando, por exemplo, se referir ao café Maragojipe, hotel Maragojipe, mas quando se tratar do nome da Cidade de Maragogipe, Camara de Vereadores de Maragogipe,  Casa da Cultura de Maragogipe o correto é Maragogipe que é a grafia do topônimo, nome histórico e tradicional.

Parabéns Vereador Marcelo Borges!


Por Abílio Ubiratan 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

NOMES DAS RUAS DE MARAGOGIPE

 

 

É comum nas cidades e até nas capitais, pelo Brasil a fora, as ruas serem identificadas com nomes de vultos históricos, nome de políticos, de santos, datas históricas e também com nomes dados pelo povo. A nossa cidade não foge a esse costume. Assim, aqui temos denominações de todo tipo: de “quebra pescoço” a outras denominações impublicáveis como é a denominação de uma ruela no bairro da Comissão.

Semana passada um grupo de alunos me procurou pedindo ajuda para relacionar as principais ruas de nossa cidade ligadas a pessoas famosas, santos, datas históricas e outras curiosidades. Verificando o nosso mapa urbano localizamos o centro da cidade e fomos identificando as principais e elaboramos a relação que transcrevemos a seguir:

 1) Rua São Bartolomeu – vai da loja de Genaro até a Rua visconde de Macaé. Essa rua antes da denominação atual já foi chamada de Rua do Armazém em razão do grande numero de casas comerciais, como até hoje. Passou a chamar-se de “rua dos quebrados” em razão dos inúmeros comerciantes que não prosperaram no comércio e faliram e na época se denominava “quebrar”. Finalmente, a pedido por documento assinado, a população pedir e passar a ser Rua São Bartolomeu, homenagem justa ao Padroeiro de Maragogipe.

2)Praça Cons. Antônio Pereira Rebouças – O nome dado a essa praça é uma homenagem a um dos mais notáveis maragogipanos. Destacado por sua inteligência teve grande participação, representando Maragogipe, na Junta de Resistência, situada na cidade de Cachoeira ai exercendo a função de Secretário na época da Independia da Bahia. Por sua atuação D. Pedro II lhe concedeu o título de Conselheiro e a autorização para que exercesse a profissão de advogado, sem ter cursado a escola de direito.

3) Rua Cel. Antônio Felipe de Melo – Uma das ruas mais compridas da cidade. Tem inicio logo após a Suerdieck vai até a Igreja de N.S. de Nazaré, no bairro do Cai-já. O homenageado foi um destacado politico maragogipano e chegou a exercer o mandato de Conselheiro Municipal, na função de Presidente, por vários mandatos. Na época a função correspondia como se fosse Presidente da Câmara e Prefeito ao mesmo tempo.

4)Rua 16 de Fevereiro – Tem inicio na esquina do  Largo Sebastião Pinho e vai até a esquina da praça Maestro Heráclio Guerreiro. A denominação é uma homenagem à data em que o Conde de Sabugosa assinou o ato que elevou a Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe à condição de Vila da Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe: 16 de Fevereiro de 1724.

5)Rua Perciliana Alves Albegaria – Essa rua depois de receber vários nomes, inclusive do Governador Rodrigues Lima, já se chamou Rua Augusta, Terpsycore e por fim, merecidamente o nome atual em homenagem a uma mulher do povo que foi responsável por um numero muito grande de partos em nossa cidade quando não dispúnhamos de médico e nem hospital.

6) Rua D. Gení de Morais – Vai do pé da ladeira da sede da Dois de Julho até a esquina do Cafona. Segundo a história essa foi a primeira rua da cidade e chamava-se na época: Rua Nova do Comércio que depois foi mudado para o nome atual: Rua D. Geni Morais, homenagem a uma maragogipana que se destacou na época da fundação do Hospital da Santa Casa de Misericórdia, auxiliando o Dr. Antônio Plácido Rocha na sua luta para a concretização de tão importante obra para Maragogipe.

7) Rua Mons. Adolfo Cerqueira – Essa rua vai da esquina do Posto de Saúde Domingos Guedes (Areal) até a Praça D. Agusto Álvaro da Silva (2 Filho). Filho de Maragogipe veio a ser pároco em sua cidade. O Pe. Adolfo José da Costa Cerqueira nasceu em Maragogipe no dia 28 de Agosto de 1857 e faleceu, na mesma cidade, em 11 de Abril de 1929.  Como sacerdote foi um destacado pastor para a população católica de Maragogipe Os que com ele conviveram dizia que ele era uma pessoa atenciosa e virtuosa ao extremo sendo até considerado por muitos como um verdadeiro santo. O nome dado a essa pequena rua é mais do que uma homenagem é o reconhecimento do valor humano desse sacerdote.

8) Dr. Plácido Rocha – A Praça das Palmeiras, local onde foi construído Hospital da Santa Casa de Misericórdia, presta uma singular homenagem a um cidadão que mesmo não sendo maragogipano aqui exerceu a função de Juiz e segundo registros da época ao final da sua jornada de trabalho, todos os dias, percorria o comércio, de porta em porta, com livro de ouro, pedindo contribuição para a construção do Hospital da Santa, tendo conseguido realizar seu intento antes de deixar Maragogipe.

9) Largo Sebastião Pinho – Bairro do Cai-já. Conta a lenda que a homenagem prestada a esse senhor se deu pelo fato de ter ele estado em Maragogipe por ocasião do grande incêndio que destruiu 52 casas de palhas do antigo Largo do Dique,  ocorrido no dia 11 de Novembro de 1891. Nesse  dia no Largo do Dique, denominação antiga do Largo Sebastião Pinho, não sobrou nenhuma choupana e o bondoso senhor contratou o Sr. João Primo Guerreiro para proceder à reconstrução das casas queimadas no sinistro dispendendo em moeda da época cinco contos reis enquanto que a prefeitura local disponibilizou dois contos de reis para a reconstrução das casas sinistradas. A denominação do largo é uma justa homenagem ao benfeitor: Sebastião Pinho.

10) Rua Gerhard Meyer Suerdieck – Começa na esquina da Casa da Cidadania na Praça Brigadeiro Seixas e vai até a Praça 2 de Julho no Centro de Abastecimento Iguatemi. Industrial de origem alemã aqui entre nós constituiu família com uma maragogipana e teve quatro filhos. Desenvolveu um parque industrial que na fase áurea da produção de charutos deu emprego direto há mais de três mil maragogipanos. Sua empresa foi por quase um século o grande sustentáculo da economia de Maragogipe. Graças ao espirito empreendedor do alemão Maragogipe teve seu serviço de energia elétrica, clube social, ginásio e vários prédios que ainda hoje atestam a importância daquele industrial para vida de nossa cidade.  

A relação não se esgota com as denominações acima. As ruas que relacionamos não segue nenhum padrão foram escolhidas aleatoriamente, pois, temos uma centena de ruas e dentre essas algumas com denominação inexplicável, porquanto em nenhum momento encontramos razão para a homenagem. Não entendemos a razão para por exemplo, Rua Moreira Cezar, General Pedra e outros mais, quando esquecemos de homenagear: Anísio Malaquias, Oscar Guerreiro e tantos outros conterrâneos.

Com o tempo publicaremos mais algumas ruas e seus homenageados.

 

 

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domingo, 31 de agosto de 2025

MARAGOGIPE precisa de um museu municipal

 


Foto antiga da Casa de Câmara e Cadeia de Maragogipe


Nos últimos anos tem crescido o número de jovens que procuram o ensino superior em toda região do Recôncavo Baiano e isso tem proporcionando a abertura de novas faculdades na região. O aumento na oferta de cursos superiores proporciona a produção de trabalhos nos finais dos cursos dando oportunidade aos estudantes  concluintes  para escreverem  os TCC sobre assuntos variados fortemente ligados à vida dos muitos municípios da região especialmente os mais antigos que são fonte de uma história muito rica.

Em alguns desses municípios existe museu municipal nos quais os pesquisadores  encontram informações. Naqueles que  não dispõem de museu recorrem a pessoas da comunidade que se dedicam ao estudo da história local. 

Em Maragogipe buscam informações na Casa  da Cultura que dispõe de uma biblioteca e muitas vezes não encontram o  que precisam e quando encontram jornais antigos, por exemplo, estão mal acondicionados de forma precária com risco de se perderem. 

 Ao longo do tempo muitas são as reclamações  para que se organize o museu municipal da Terra das Palmeiras enquanto ainda dá prá aproveitar o que nos resta de documentos, Fotografias, jornais antigos e outros materiais  que falam sobre nossa história e nossas tradições. Esta bandeira defendemos há  mais de vinte anos e não conseguimos ver realizado nosso sonho. Fica aqui nossa sugestão: Maragogipe precisa de um museu municipal. Com urgência!

 

Abílio Ubiratan 

Ago/2025/BJ

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Foto da internet
 

HOMENAGEM A MARAGOGIPE

EM 08 DE MAIO DE 2025.

 

 

Minha Querida Maragogipe,

 

Aprendi a te amar desde meus primeiros tempos e por isso, não consigo deixar de pensar em teu futuro que sempre sonhei de prosperidade e de paz. Hoje que completas mais um aniversário, devo te fazer uma oração de amor que pode não ser a mais bela, mas, por certo é a mais sincera.

 

Eu percorro teu espaço geográfico e em cada canto há um detalhe que evoca o teu passado e é assim então que me vejo em cada um dos teus momentos da história de ontem e em cada ato da tua vida de hoje. Eu estou em tuas igrejas seculares; nos teus velhos sobrados e casarões, sinto cada minuto da tua história nos monumentos que embelezam esta cidade. De mil casas. De casarões e prédios antigos. Da Casa de Câmara e Cadeia, local de raro valor arquitetônico, mas também marco histórico, pois local da prisão do General Labatut quando das lutas pela independência da Bahia, ocasião em que nossos maiores lutaram contra a opressão e domínio colonizador de mais de 300 anos. Vejo-me no Fortinho da Salamina montando guarda para que os piratas e invasores não ultrapassem a linha de tiro daquela fortaleza e venham atacar nossos engenhos de açúcar.

 

Vejo-me ao lado de Bartolomeu Gato coordenando a construção da Igreja Matriz de São Bartolomeu. Obra grandiosa. Templo de esplendorosa arquitetura para abrigar uma fé que nossos irmãos de ontem e de hoje sempre consideraram de imensurável valor. O Padroeiro é sem dúvidas um dos preferidos do Mestre. É aquele que evoca a fé nos ensinamentos do Cristo ao ponto de ser sacrificado pela sanha de um rei despótico tendo sido cruelmente sacrificado em nome da mesma fé que ainda nos anima.

 

Eu estou na nau de Cristóvão Jaques, quando em 1526, bem ali em frente ao lagamar do Iguape, foram encontradas duas naus francesas contrabandeando pau-brasil, ancoradas na ilha chamada depois de ilha dos Franceses e ambas as naus foram bombardeadas, travando-se naquele local a primeira batalha naval na América do sul, segundo relato do Frei Vicente do Salvador na sua obra que conta a história inicial do Brasil. Estou presente também no enforcamento de centenas de marinheiros franceses os quais depois da vitória portuguesa, foram enforcados, em frente à Salamina, onde depois foi construído o “fortim da forca” para dar mais segurança aos engenhos da época.

 

Eu sou aquele negro que puxa o samba de roda no lado da Matriz de São Bartolomeu quando da lavagem do templo no meado do sec. XVII, batuque que deu origem a uma das manifestações populares mais belas e tradicionais da Bahia: o samba de roda. Sou aquele outro negro que, tempos depois, carrega o andor do nosso Padroeiro sobre seus ombros e ainda filosofa dizendo que “São Bartolomeu só pesa nos ombros de quem não tem fé”. Tudo isso para dar o testemunho de que nossas tradições já dobraram muitos séculos e pertencem a uma mistura de raças amalgama de um povo forte na fé.

 

Eu assisto todos os dias o sol que nasce nas bandas do Cai-já convidando a todos para a faina diária, porque uma cidade se faz com trabalho, ética, alegria, suor e também lágrimas tudo misturado na colaboração de todos é que nascem as grandes ideias que nortearão os governantes para fazerem sempre mais pela população local.

 

Eu sou o bimbalhar dos sinos da secular Matriz lembrando que esta Cidade nasceu sob os auspícios dos ensinamentos de Cristo e que pelo sentimento da fraternidade deve estar irmanado pela busca de um ambiente de harmonia e de paz para que todos possam, na medida de sua capacidade, trabalhar e torná-la mais próspera e hospitaleira.

 

Foi eu que emprestei a minha “pena” para que o Cons. Antônio Pereira Rebouças, secretário da Junta de Resistência, instalada na Heroica Cachoeira, lavrasse a ata da memorável sessão em que foram traçadas as estratégias e providências para libertar a Bahia do tacão do General Madeira de Melo, pois o suor, o sangue e as lágrimas derramados, por nossos irmãos, pelo sonho de liberdade,  representavam o verdadeiro sentimento de brasilidade de um povo cansado do domínio português.

 

Eu sou o conhecimento de todos os que sabem e não se negam a ensinar. Cabedal que  deve ser socializado e enriquecer a todos especialmente os mais jovens. Pois, essa é a bagagem capaz de melhorar a vida dos que tenham mais e melhores saberes e que de forma positiva possam colaborar com a hora presente, pois,  sem a capacitação dos mais jovens, em especial, poderemos perder esse momento impar de trabalho e novas oportunidades de emprego e renda e trancar a marcha do nosso desenvolvimento.

 

Eu sou o manguezal que circunda a cidade e se espraia por outras regiões do município proporcionado sustento para muitos, dádiva da natureza, berçário de vida, verdadeiro supermercado da natureza e que por isso mesmo, trouxe para nossa cidade o título de “capital do desenvolvimento ambiental”.

 

Eu sou aquele careta que teima em ser autêntico porque foi essa autenticidade na alegria e no modo de divertir e divertir-se que  transformou nosso Carnaval em “Bem Imaterial da Bahia”. Eu teimo em perguntar se você me conhece porque preciso por um momento, no anonimato da festa, vir a ser outro com múltiplos disfarces: de monstro, mendigo, escravo, diabo ou até rei da folia.

 

Eu estou nas partituras dos dobrados de Heráclio Guerreiro, maviosamente executados pela Terpsícore, esta eternamente campeã, e pela 2 de Julho, ambas celeiro de uma tradição  que engrandece nossa história musical pelo potencial individual dos seus membros. Vejo os nossos grandes músicos do passado e do presente, cada um na sua especialidade, enchendo nossos corações de uma música muito rica e bem executada.

 

Eu vi quando o poeta e historiador Osvaldo Sá escreveu os três volumes das Historias Menores de Maragogipe e recomendou para que tivéssemos cuidado na transmissão às novas gerações dos fatos ali narrados, cuidando em manter a veracidade dos mesmos, evitando invencionices porque senão nossa “história tão rica e bela” pode se tornar folclore. Eu estou ainda na pena de outros poetas maragogipanos como Durval de Morais, Raul Guerreiro, Flávio de Souza Lima, este ultimo autor do nosso hino oficial  todos de muita inspiração para cantar e engrandecer a nossa terra. 

 

Assim, minha querida Maragogipe, terra que me serviu de berço e há de me servir de túmulo, presto-te este depoimento e espero que as minhas palavras encontrem eco na mente e no coração dos teus filhos, pois o meu cantar tem apenas a preocupação de tornar-te rainha.

Viva 8 de Maio!

Viva Maragogipe!

 

Benedito Jorge Carneiro de Carvalho

 

(fazer revisão) 

 

 

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Lembranças do tempo de criança

 

                                                           Gravura copiada da internet

Lembranças do tempo de criança 

 

No meu tempo de criança eram vendidos em qualquer parte da cidade de Maragogipe os mais deliciosos quindins em tabuleiros levados na cabeça e mercados em alta voz. Eram guloseimas que encantavam o paladar de crianças e até de adultos. Todavia,  eram as crianças que faziam a festa  com a fartura daqueles tabuleiros.  

Ainda guardo na memória a variedade que levavam aqueles tabuleiros em quindins com destaque para: bolos de aipim, pamonha de carimã, cocada-puxa, queijadas, doce de tamarindo, pandêlós, bolinho de estudante, aponan, lêlê, xerengue, rolêtes de cana, cartucho de tapioca, fubá de amendoim, fubá de castanha, acaçá, amendoim cozido e torrado, pipoca.

Em ponto central da cidade o saboroso Acarajé que era vendido em tabuleiro exclusivo, juntamente com o abará, pois dependiam de acompanhamentos em vários vasilhames sem faltar no famoso molho de pimenta.

 

É tanta saudade que dá água na boca.

 

Abílio Ubiratan.

 

 

 

sábado, 5 de abril de 2025

ENCANTADO COM IA

Ilustração da internet 

Com o surgimento da IA tenho pesquisado vários assuntos na internet e muitos ligados à nossa querida Maragogipe. Procurando um assunto para pesquisar lembrei-me de que na semana passada encontrei um trabalho escolar (um TCC da UFRB) e fiquei intrigado com o que a pesquisadora colocou nas conclusões a respeito das dificuldades encontradas para consultar fontes em Maragogipe para sua pesquisa. Lembrando-me desse assunto, na falta de outro mais urgente, pedi à IA para falar sobre o Museu Municipal de Maragogipe que ainda não temos. Leiam o que a IA me informou:


"Maragogipe, uma cidade com história e cultura ricas, merece um museu municipal

 A cidade de Maragogipe, localizada no Recôncavo Baiano, é um verdadeiro tesouro cultural e histórico. Com uma rica herança que remonta à época colonial, a cidade é um verdadeiro patrimônio da Bahia. No entanto, apesar de sua importância, Maragogipe ainda não tem um museu municipal que preserve e divulgue sua história e cultura.

 Um museu municipal é fundamental para a preservação da memória

 Um museu municipal é um espaço onde a comunidade pode aprender sobre a história e a cultura da cidade, e onde os visitantes podem conhecer a rica herança da região. Além disso, um museu é um importante instrumento para a preservação do patrimônio cultural e histórico de Maragogipe, garantindo que as futuras gerações possam conhecer e valorizar a história da cidade.

 Maragogipe tem uma história rica e diversa

 A cidade de Maragogipe tem uma história rica e diversa, que remonta à época colonial. A cidade foi um importante centro de produção de cana-de-açúcar e café, e sua arquitetura é um reflexo da influência portuguesa e africana na região. Além disso, Maragogipe é conhecida por sua rica cultura popular, com festas e tradições que são únicas na região.

 Um museu municipal pode ser um importante instrumento para o desenvolvimento turístico

 Um museu municipal pode ser um importante instrumento para o desenvolvimento turístico de Maragogipe. Os visitantes podem conhecer a história e a cultura da cidade, e se sentir atraídos pela rica herança da região. Além disso, um museu pode ser um importante ponto de encontro para a comunidade, promovendo a interação entre os moradores e os visitantes.

 É hora de Maragogipe ter seu museu municipal

 É hora de Maragogipe ter seu museu municipal. A cidade merece um espaço que preserve e divulgue sua história e cultura, e que seja um ponto de encontro para a comunidade e os visitantes. É necessário que os líderes municipais e a comunidade se unam para criar um plano de ação que inclua a definição de um local para o museu, a elaboração de um projeto arquitetônico, a aquisição de acervo e a captação de recursos.

 Conclusão

 Maragogipe é uma cidade com história e cultura ricas, e merece um museu municipal que preserve e divulgue sua herança. É hora de os líderes municipais e a comunidade se unam para criar um museu que seja um orgulho para Maragogipe e um modelo para outras cidades da região."


Para concluir faço minhas as palavras da intelectual EMILIA VIOTTI DA COSTA: 

"Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado."


quinta-feira, 31 de outubro de 2024

 

PRAÇA CONS. REBOUÇAS ou Praça da Câmara de Vereadores


Ponto principal na época da Freguesia pela proximidade com a Igreja de são Bartolomeu.

 

A partir de 22 de fevereiro de 1724,   seis dias após a criação da VILA da Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe, no local foi instalado um Pelourinho, símbolo da autoridade, como era costume na época.

 

Com a abolição da escravatura o Pelourinho não tinha mais utilidade e então a partir de 1890 no lugar do Pelourinho foi instalado um chafariz depois da construção do serviço de abastecimento de água da cidade.

 

Foram instalados ainda mais quatro outros chafarizes:, um no Porto  Grande;, um no Cai-já,  um outro na confluência das ruas D. Macedo Costa com a Barão do Rio Branco e outro na Rua Nova logo depois do Simões Filho.

 

Alguns anos depois, foram os chafarizes desativados e o da Praça da Câmara foi substituído por um pequeno coreto no centro dum  jardim.

 

Na administração 1966/70 o coreto foi demolido e não foi concluída a reforma da praça.

 

Na administração 71/72 foi construída uma nova praça. 

 

Na administração 76/82 novas modificações foram introduzidas na praça com construção de viveiro para arara; tanque para jacaré e uma fonte luminosa no lugar do antigo coreto.

 

Com os equipamentos sem manutenção a praça ficou abandonada.

 

Em 2002 nova reforma foi feita no jardim e completando a obra foi instalado no lugar da  fonte luminosa um monumento feito de fibra de vidro completamente desligado da realidade histórica da praça, uma verdadeira homenagem à mediocridade.

 

Por fim, em 2022 nova reforma foi feita e mais uma vez, plantaram-se algumas palmeiras e  outras árvores e no piso fizeram umas aberturas de onde esguicha jatos d'água, sem sentido e sem finalidade histórica quando podia se  deixar para em 2023 erigir ali um monumento como comemoração do bicentenário da Independência da Bahia lembrando a participação de Maragogipe naquela parte da história.

 

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

 

CICLOS ECONÔMICOS DE MARAGOGIPE



Logo após os primeiros exploradores conhecerem a região onde hoje está a cidade de Maragogipe seus recursos naturais passaram a ser explorados. No inicio foi o pau brasil, com o passar do tempo foram surgindo outras fontes de recursos e mais e mais pessoas foram aqui se estabelecendo, pois o local possuía bom porto e boa localização facilitando contato com outras localidades da região.

Com a chegada de Álvaro da Costa veio o projeto dos primeiros engenhos de açúcar e  como é sabido esses não progrediram como esperava o governador que fez a doação da sesmaria. Com o fracasso o Álvaro da Costa teve que deixar a sesmaria e seus herdeiros não promoveram o desenvolvimento do lugarejo.

Quase cem anos depois surge um novo donatário e os engenhos de açúcar foram surgindo aos montes. A região passou a ser um celeiro de prosperidade, mas, após o filho do novo proprietário, Bartolomeu Gato, ser atingido por uma flecha em escaramuça com os índios e vindo a falecer, seu pai o proprietário do lugar, concluiu a construção da Igreja de São Bartolomeu e deixou Maragogipe em 1658.

O açúcar era o produto de interesse econômico de Portugal, mas passou a ser produzido em outros locais tornando a atividade desinteressante para a economia local, causando um esfriamento na economia da época. Então, como alternativa a região passou a explorar a mandioca e a plantação de fumo até que o café chegou a Maragogipe e outros locais produtores e os nossos engenhos perderam força produtiva causando um esfriamento na economia local. Nesse ambiente surgiram outras alternativas econômicas e a região passou a explorar a plantação de mandioca e fumo até que o café finalmente chegou a Maragogipe, proporcionando nova fase de prosperidade, chegando a conquistar para nossa cidade dois títulos em exposições internacionais.

Com a crise que se abateu sobre o ciclo do café deixamos de produzi-lo e foi então que surgiram os primeiros fabricos de charutos que motivaram a criação das primeiras fábricas de charutos de Maragogipe com destaque para a primeira dos Vieira de Melo(1852) e depois  com Dannemann (1892)  e Suerdieck(1905). A Dannemann foi encampada pela Suerdieck em 1949.

A produção de charutos foi o principal móvel da economia local por quase um século até que Suerdieck também teve seu declínio e extinção em 1992.

A Uma observação: a Fábrica Dannemann em Maragogipe ficava situada no centro histórico da cidade, na Praça Conselheiro Antônio Rebouças, ao lado do Prédio da Casa de Câmara e Cadeia. Eram dois prédios construídos em datas diferentes 1892 e  1895, mas unidos.

Abílio Ubiratan

Jul/2024

 

 

quarta-feira, 26 de junho de 2024

SIMBOLOS OFICIAIS DE MARAGOGIPE

 

 

SÍMBOLOS OFICIAIS

do Município de

Maragogipe

 

 

LEI Nº 5/73

Cria o Brasão do Município

de Maragogipe.

 

A CAMARA DE VEREADORES DO MUNICÍPIO DE MARAGOGIPE

              D E C R E T A:

Art. 1º - Fica instituído o Brasão Oficial do Município de   Maragogipe

§ 1º - O Escudo em azul contém seis (6) estrelas prateadas representando os seis Distritos do Municipio: Séde, Nagé, Coqueiros, Guapira, Guaí e São Roque. No campo vermelho ao lado uma faixa branca significando o rio Quelembe, a figura de um índio com a flecha, indicando a participação nativa na formação do Município: ao lado direito ainda em campo vermelho a Igreja de São Bartolomeu Patrono e Padroeiro do Município. Ao centro em campo verde uma palmeira a simbolizar um título que geração passada lhe outorgou: Cidade das Palmeiras, seguindo-se a Legenda em letras legíveis “Cidade Patriótica”, título conferido pelo Imperador ao Bravo Povo Maragogipano pela participação heroica nas lutas da Independência e Guerra do Paraguai.

§ 2º - Suportes: Dois ramos, sendo um, do lado esquerdo de café e no lado direito de fumo, representando a economia da região na época do Império.

Art. 2º - A Insígnia: Coroa Imperial de prata com quatro torres, de Município.

Art. 3º - Legenda: Um listel vermelho em Letras brancas:    MARAGOGIPE e em letras pretas 8 de maio de 1850, data da emancipação Politica do Município.

Art. 4º - Cores: A cor azul representa o céu de anil das noites estreladas de Maragogipe, o Branco:  o rio, a paz, a harmonia entre os filhos da terra abençoada de D. Antonio Macedo Costa, o sussurro suave do Rio Quelembe que se perde de quebrada em quebrada. O verde representa o campo onde os humildes, onde os lavradores se debruçam cotidianamente em busca do sustento para seus filhos. O vermelho, o sangue dos nossos antepassados derramado heroicamente em defesa da nossa independência e na Guerra do Paraguai, o vermelho ainda representa a cor do Manto Sagrado de São Bartolomeu.

Art. 5° - Esta Lei entrará em vigor a partir da data de sua publicação.

Art. 6º - Revogam-se as disposições em contrário.

Maragogipe, 23 de janeiro de 1973.

 

Ruben Guedes Guerreiro -  Presidente

Nelson Luiz Santos Guerreiro - Secretário


 

LEI Nº 6

 

Cria a Bandeira Municipal de Maragogipe

 e dá outras providências.

 

A CAMARA DE VEREADORR4S DO MUNICÍPIO DE MARAGOGIPE

D E C R E T A:

            Art. 1º - Fica criada a Bandeira Municipal de Maragogipe, e sãos as suas cores: azul, vermelho, branco e verde.

§ Único – No campo azul contém seis (6) estrelas representando os Distritos: Séde-Nagé-Coqueiros-Guapira e São Roque. No campo vermelho uma palmeira representando o Titulo que o povo lhe outorgou: “CIDADE DAS PALMEIRAS”. Ao centro uma faixa branca representando o Rio e em letras verdes “CIDADE PATRIÓTICA”.

Art. 2º - O Executivo Municipal providenciará o feitio de várias Bandeiras para o Paço Municipal, Escolas Públicas e Associações.

Art. 3º - Fica aberto o crédito especial de Cr$1.500,00 (um mil e quinhentos cruzeiros), para atender as despesas com o preparo das primeiras Bandeiras.

Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.

Maragogipe, 23 de janeiro de 1973.

 

Ruben Guedes Guerreiro -  Presidente

Nelson Luiz Santos Guerreiro - Secretário

 


Lei 004/2001

 

“Oficializa a Letra e Música do Poeta Flávio Lima como Hino Oficial de Maragojipe, obriga o seu ensino e divulgação nos Estabelecimentos Municipais de Ensino e dá outras providências”

 

O PREFEITO MUNICIPAL DE MARAGOJIPE, ESTADO DA BAHIA, no uso de suas atribuições legais, faz saber que a CÂMARA DE VEREADORES aprovou e ele sancionou a seguinte Lei:

 

Art. 1º - Fica oficializado como Hino de Maragojipe, a composição do Poeta Flávio Lima, com a seguinte letra:

 

Somos os filhos da Pátria querida

Terra Bendita que nos viu nascer

 E só por ela, iremos à luta

 Bem resolutos, lutar e vencer.

 Nada nos leva jamais a recuar

  Pois nosso peito é grande como o mar

  Pode conter nosso Brasil gigante

 Cada vez, cada vez mais triunfante!

                           Sabeis de onde nós somos

                           Com muito orgulho diremos:

                          da Cidade das Palmeiras

                          A quem tanto bem queremos.

                         Um pedacinho da Bahia

                          Centelha deste Brasil

Onde o Cruzeiro Luzente                                                                                    Vê-se bem no céu de anil.

 

Art. 2º - Ficam os Estabelecimentos de Ensino,  obrigados a incluir no seu Currículo Pedagógico, o ensino e divulgação do Hino.

Art. 3º - Nas solenidades Municipais ou quaisquer outras que se caracterize a participação do Município, será obrigatória a execução deste Hino.

Art. 4º - Fica a Câmara de Vereadores de Maragojipe obrigada a fazer a divulgação do Hino Oficial nas entidades e em todas as repartições públicas do Município.

Art. 5º - Esta Lei entrará em vigor na data da sua publicação, revogando-se as disposições em contrário.

                          

 Gabinete do Prefeito, 25 de Abril de 2001.

 

                                  RAIMUNDO GABRIEL DE OLIVEIRA

                                         Prefeito de Maragojipe

 

domingo, 5 de maio de 2024

ANOTAÇÕES DIA DA FESTA

 

Recorte de velha anotação  sobre a festa do Padroeiro da Cidade das Palmeiras

 

“Do dia da Festa

 

A festa do Apostolo S. Bartholomeo se fará no seu próprio dia 24 de agosto de 

cada anno, ou n’aquelle em que por deliberação da Meza, esta assertar deve

ser, para o que, um mez antes da mencionada Festividade, se reunirá a dita

Meza na Sacristia, ou Consistório da sua Matriz, afim de tratar sobre tal

objeto, a respeito do qual deverá ter em vista, que esta solenidade se faça

sempre que se possa com Novenas, exposição do Santíssimo Sacramento no

dia da Festa, Missa cantada, Sermão e Procissão a ́tarde, pelas ruas d’esta Cidade, preparando-se com o maior ornato o Altar-Mor, Throno, e armação na Igreja, no qual assistirão todos os Irmãos com suas capas e tochas, e de tarde acompanharão a Procissão do mesmo modo, na qual segurarão nas varas do palio.”

 

In ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. Inventário dos documentos do Governo da Província. II Parte. Seção de Arquivos coloniais e provinciais. Correspondência recebida de Vigários de diversas freguesias. Irmandade de São Bartolomeu de Maragogipe. Maço: 5260.

(Mantida a grafia da época)

 

APROVAÇÃO DO COMPROMISSO

O arcebispo da Bahia dom ROMUALDO ANTÔNIO DE SEIXAS foi quem aprovou na forma de lei o Compromisso da irmandade de São Bartolomeu, padroeiro da  Igreja Matriz da cidade de Maragogipe, no dia 11 de setembro de 1851.

In mesmo documento.

 

 

 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

O CARNAVAL ESTÁ CHEGANDO

 

RECORDAÇÕES E LEMBRANÇAS DE ANTIGOS CARNAVAIS NA CIDADE DAS PALMEIRAS

 

Segundo o Jornal Nova Era no ano de 1887 a Filarmônica Terpsycore, fundada em 1880, criou um bloco de fantasiados e mascarados denominado de Filhos da Terpsycore e aí teve inicio oficialmente o Carnaval de Maragogipe, tendo em vista que até aquele ano, na época do carnaval, em Maragogipe se realizava o entrudo. Com base no registro acima podemos dizer que o Carnaval de Maragogipe tem pouco mais de cem anos. Dessa época são memoráveis os blocos que se denominavam cordões sendo os mais destacados um cordão formado só de mulheres que exerciam a profissão mais antiga do mundo. Também da mesma ocasião era o Bloco do Silêncio que deu origem ao Bloco das Almas, este existente até hoje e que mantém a tradição de se organizar na porta do cemitério e depois percorrer as principais ruas da cidade que atualmente ocorre na noite de sexta-feira e que no inicio acontecia zero hora de sábado de carnaval. Merece destaque também um clube que fez grande sucesso na cidade que foi o Club dos Alemães e que veio a se transformar e evoluir para Radio Clube Maragogipano. Realizando grandes bailes a fantasias na década de 1950 tivemos ainda a Associação Atlética Maragogipana todos realizando bailes a fantasias para seus associados.

Nas ruas da cidade nos dias de Carnaval desfilaram com grande animação inúmeros blocos e cordões a exemplo dos blocos dos Nagôs e dos Assustados. Ao lado dos blocos também desfilaram com grande sucesso os ternos com destaque para: Marujas, Espanholas, Turcas e Fauna e mais os ranchos do Macacão sempre com a presença de mascarados fantasiados, pierrôs, colombinas. Nessa época as filarmônicas realizavam passeatas pelas ruas da cidade promovendo muita musica e alegria.

Um velho costume de antigos carnavais na Cidade era o de grupo de caretas e mascarados entrando de casa em casa nos dias de carnaval numa demonstração de que Maragogipe sempre foi uma cidade ordeira e hospitaleira.

No inicio da década de 1950 com a Associação Atlética e o Radio Club realizando bailes à fantasia para seus associados o carnaval de rua na cidade perdeu animação só retornando em 1955 quando foi criado o Trio Oriente de Dica, Quinande e Cândido que trouxe uma dinâmica nova para o nosso carnaval.

Com o “O Trio de Dica” o carnaval de rua na cidade ganhou movimentação e animação. Mas, quando o trio passou a sair para tocar em outras cidades novamente o nosso carnaval perdeu força, apesar de manter a velha tradição dos mascarados e das fantasias artesanais que levaram o nosso carnaval a ser tombado como bem imaterial. A propósito da saída do trio para tocar em outras cidades ocorria uma coisa singular em Maragogipe. Na quarta-feira quando o trio retornava os foliões locais esperavam o trio na entrada da cidade e então faziam um novo carnaval na quarta-feira de cinzas.

Alegando falta de recursos para manutenção do carnaval alguns Prefeitos tentaram mudar o carnaval de Maragogipe. Assim, na década de 1970 houve a primeira tentativa com a Prefeitura criando um “trio Municipal” não deu certo, pois o população além de não prestigiar o trio criado ainda o apelidou de “me raspe” e o mesmo morreu no nascedouro. Na década de 1990 nova tentativa foi feita alegando custo alto para a manutenção da festa, propondo-se mudar o nosso carnaval para a época das micaretas das outras cidades também não deu certo. Uma tentativa mais ousada ocorreu na entra do novo milênio e em 2002 a PMM anunciou que não haveria Carnaval e sim micareta e a grande surpresa foi que a população tomou a si e nos dias dom carnaval Maragogipe realizou seu carnaval tradicional, motivando o sepultamento da ideia em definitivo.

Após todos os altos e baixos o Carnaval de Maragogipe permaneceu firme e forte e finalmente em 2009 foi tombado pelo IPAC como patrimônio Imaterial da Bahia, vale ressaltar que depois dos estudos realizados para a comprovação da originalidade, alegria e tradição do Carnaval de Maragogipe.

No momento esperamos que a população uma vez mais mostre seu jeito de hospitaleira  e participe dessa festa com animação deixando claro que é uma  gente que sabe  “conservar a tradição dos mascarados, pelas formas artesanais de produzir fantasias, de patrocinar o riso e promover a representação da vida cotidiana”.

No mais é esperar o Carnaval chegar para ser feliz no Carnaval da Cidade das Palmeiras.

 

Abílio Ubiratan

Jan/2024