Imagem em destaque

Imagem em destaque
Panorâmica de Maragogipe
Mostrando postagens com marcador Devoção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Devoção. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de agosto de 2022

ASSIM NASCEU A DEVOÇÃO

 




O primeiro colonizador português das terras onde hoje está a cidade de Maragogipe foi Álvaro da Costa, filho do 2º Governador Geral Duarte da Costa (1553-15558) que recebeu a sesmaria de Peroaçu para nela instalar os primeiros engenhos de açúcar. O novo colonizador não logrou êxito em seu intento e a sesmaria ficou esquecida por quase cem anos. No ano de 1640 um outro português adquiriu a posse e propriedade da sesmaria de Peroaçu  e tão logo tomou posse mudou o padroeiro do lugar que passou a ser São Bartolomeu, nascendo assim a devoção que venceu os anos e chegou aos nossos dias.

A Freguesia de São Bartolomeu foi criada em 1649 segundo o historiador maragogipano Osvaldo Sá. Já um outro historiador Carlos Ott diz que a Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe foi criada em 1640. Mas, no livro de registro das freguesias de nº 63, Laboratório Reitor Eugenio de Andrade Veiga a criação da freguesia só ocorreu em 1676 do desmembrada da Freguesia de N.S. da Ajuda de Jaguaripe, o que deixa o assunto controverso.

Após tomar posse da sesmaria o colonizador Bartolomeu Gato tratou de mudar o Padroeiro e construir uma grande e majestosa igreja para o santo de sua devoção: São Bartolomeu. Ai então nasceu a devoção a são Bartolomeu de Maragogipe no ano de 1643. Data do início da construção da igreja. Uma devoção que é maior que tudo. Uma força capaz de vencer dificuldades; capaz de dar força e vitalidade ao  povo bom o hospitaleiro dessa cidade, tornando-o alegre e solidário.

Dessa forma antes de ser uma unidade político-administrativa, vila ou mesmo cidade,  Maragogipe foi Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe, sob o comando dos padres ou melhor dizendo da igreja. E somente a partir de 1724 quando Maragogipe passou à condição de Vila da Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe, passou a ter as autoridades costumeiras, constituindo-se a partir daí o Conselho Municipal, órgão central da administração pública, ocasião em que teve inicio a  construção da Casa de Câmara e Cadeia, marco histórico da cidade,  inaugurada em 1727.

Uma informação última que  também deve ser destacada é que a Irmandade de São Bartolomeu foi fundada em 1851 e a festa do Padroeiro  antes da existência da irmandade, foi sempre feita pela população local que escolhia  entre seus habitantes o mais destacado, considerado  piedoso e probo, a quem cabia coordenar a realização da festa.

Benedito Jorge C. de Carvalho

JUL/2018/BJ

 


sexta-feira, 15 de abril de 2022

O PADROEIRO de Maragogipe


SÃO BARTOLOMEU

     A devoção a São Bartolomeu erm Maragogipe começou com a chegada do colonizador português Bartolomeu Gato, no ano de 1643, data em que começou a construção da Igreja Matriz de São Bartolomeu.
    A suntuosa igreja, recentemente restaurada pelo IPHAN, continua sendo o ponto de referência para aqueles que buscam enveredrar pelos caminhos da história de Maragogipe. Sem dúvida ela é o nosso marco zero. 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

BELA IGREJA E GRANDE DEVOÇÃO (II)


 

           No ano de 2014 escrevi com o título acima um pequeno texto fazendo referência ao valor da Matriz de São Bartolomeu e alertando para os riscos de perdermos um patrimônio tão valioso para a nossa fé e para o acervo patrimonial de nossa cidade. Pois bem, depois de três longos anos, ai está a nossa Matriz totalmente recuperada, voltando ao seu estado original, bela e majestosa, abrigando seu Padroeiro, local no qual se fazem orações e pedidos, entoam-se cantos maviosos, celebrações são realizadas, tudo com o propósito de testemunhar a fé da gente maragogipana em seu Patrono.

Hoje em meio à alegria dos devotos de São Bartolomeu por receberemos a nossa matriz nova em folha é preciso não perder de vista quão importante será manter tão belo templo sempre bem cuidado, deixando à mostra toda a sua beleza e simplicidade, como um local de orações, suplicas e pedidos, ponto de encontro de fé e de devoção, local no qual todos aqueles que seguem os ensinamentos de Jesus encontram tranquilidade.

Nunca será demais repetir que a construção da Igreja de São Bartolomeu, principal monumento arquitetônico de nossa cidade, construída no ponto mais alto da península, a partir de 1643, por iniciativa do português Bartolomeu Gato, deu majestade ao sitio onde atualmente repousa nossa cidade, originando-se dai a cidade que tanto nos orgulhamos. Para o êxito da construção a população da época não mediu esforços. Os que não dispunham de recursos, ajudavam com trabalho, mas, todos visavam ter a igreja pronta. Essa empreitada durou 70 anos, segundo alguns, mas fato é que os maragogipanos nunca deixaram de sonhar com uma bela e majestosa igreja como fora prometida pelo colonizador dono da sesmaria.

Foi a partir dessa construção, tão bela e esplendorosa, que domina o ponto mais alto da península que a cidade nasceu e em seu entorno nasceram becos, ladeiras, ruas estreitas e mal traçadas, por onde caminha humildemente a nossa história. O grande exemplo é a mais antiga rua da cidade, a primeira de traçado estreito e sinuoso, a atual Geni de Morais, que se denominava Rua Nova do Comércio, dando origem a outras e mais outras, além de ladeiras e becos e assim o aglomerado urbano da nascente cidade de Maragogipe se deu de forma acidentada, com ruas mal traçadas, muito estreitas, próprias para carroças da época, mas que hoje apresentam perigo para a locomoção das pessoas diante do número de carros e motos.

Quando afirmamos que a construção da nossa Igreja Matriz de São Bartolomeu foi o fator que propiciou o surgimento da nossa Cidade o fazemos de modo consciente analisando a grandeza do templo para os padrões da comunidade que existia na época de sua construção e considerando a pequena população local.

A matriz ocupa uma área de 1749 m2. Sua fachada tem uma porta central trabalhada em madeira de lei, adornada por uma bela portada em pedras de cantaria, ladeada por duas outras menores também do mesmo feitio. Na altura do coro temos três janelas estilo guilhotina, encimadas por um frontão sobre o qual existe uma cruz. Completam a sua fachada duas torres encimadas por pirâmides embrechadas de pedaços de louças. Em cada uma das torres existe um terno de sinos que por muitos anos fizeram parte dos sons da cidade, pois, tinham as mais diversas funções: marcavam as horas; avisavam quando havia falecimento ou outro evento que merecesse chamar atenção da população. Nas celebrações religiosas eles tinham a missão de “falar com os anjos”, mormente nas “festas de Agosto” como os antigos se referiam à Festa de São Bartolomeu. No momento os sinos são tocados em momentos esporádicos, estão quase silenciosos em razão do politicamente correto, já que, para uns os sinos produzem poluição sonora, sem atentarem para os carros de som que infernizam a nossa vida, a qualquer hora do dia ou da noite, e para os quais há proibição, mas não é respeitada. Sinais dos tempos!

Continuando com os detalhes de nossa matriz. O interior da matriz é de beleza singular. Seus altares ricamente trabalhados, ornados em ouro e em número de seis estão distribuídos pelo seu interior. Há também duas capelas laterais: uma do Santíssimo Sacramento e em frente outra do Sagrado Coração de Jesus. Completando o conjunto em frente à entrada principal fica o altar mor, local onde está entronizada a imagem de São Bartolomeu. Nas laterais do corpo da igreja existem dois púlpitos ricamente ornamentados no mesmo estilo dos altares, esses púlpitos são sustentados por pedras de cantaria. Tem ainda duas sacristias com móveis em estilo rococó e neoclássico com três janelas no alto que dão para o altar mor. As portas de entrada e todas as outras, inclusive as arcadas do altar mor e das capelas todas são sustentadas por pedras de cantaria. O coro é sustentado por duas colunas. Tanto o coro como as tribunas da nave principal são guarnecidos por balaústres de jacarandá. O forro na nave principal é estilo gamela. E nas sacristias é em estilo caixote.

A respeito do tempo de construção muito ainda vai se discutir. Fato é que não importa o tempo que se esperou para que ela ficasse pronta. As dificuldades foram vencidas com determinação. O próprio colonizador Bartolomeu Gato pagou um preço muito alto pelo seu ideal de construir o templo de São Bartolomeu. No ano de 1655 quando a construção já ia avançada os índios tupigauéns, que habitavam as terras do lado sul nas cercanias de Capanema, assombrados com tamanho da obra, que viam de longe, certo dia, atacaram os homens que nela trabalhavam. Foi criado um grupo para dar combate aos silvícolas. À frente deste pelotão seguiu o jovem Gaspar, primogênito de Bartolomeu Gato. Depois de ferrenha luta os silvícolas foram derrotados, mas, o jovem Gaspar foi ferido por uma flecha que lhe traspassou o peito e após três dias de sofrimento, em leito de morte, veio a falecer deixando seus pais muito abatidos, ocasião em que o colonizador Gato prometeu à sua esposa que tão logo a igreja ficasse pronta iria embora o que aconteceu em 1658.  Este o preço que foi pago pelo colonizador e construtor da igreja Matriz de Maragogipe. No ano de 1658 deixou Maragogipe o colonizador Bartolomeu Gato, antes porém, passou por testamento os bens que aqui possuía para Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe.

Temos ai um pequeno relato, em aligeiradas palavras, visando conscientizar as pessoas de que a nossa Matriz de São Bartolomeu é um marco na nossa história religiosa e cultural, numa ligação indissolúvel, com mais de três séculos de devoção, tempo no qual belas páginas foram escritas realçando o seu valor.

Por fim, alegre e feliz pela restauração da vetusta e bela Matriz de São Bartolomeu, registro aqui, na condição de amante das tradições e da história de Maragogipe, nosso agradecimento a todos que estiveram envolvidos para o êxito da restauração, sem citar nomes especificamente para não suscitar ciúmes, pedindo a São Bartolomeu que a todos proteja, esperando que todos estejam conscientes de que esse patrimônio é de Maragogipe, de sua fé e de sua história.

Viva São Bartolomeu!

Benedito Jorge C. de Carvalho

Junho/2021.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

DEVOÇÃO E FÉ


         Numa manhã, quando iam para o eito, os trabalhadores viram sobre uma pedra  uma visão radiante de um  homem esbelto, cor acobreada, feições delicadas, tendo à mão direita uma adaga e com o corpo todo ensanguentado. Essa notícia rápido correu o povoado. O novo dono do lugar logo decifrou a visão: “trata-se da imagem de São Bartolomeu”. Os moradores concordaram em adotá-lo como patrono do lugar. Então foi escolhido um local onde seria erguida uma grande e majestosa igreja. As obras da nova construção foram iniciadas de imediato e todos concorriam da forma como podiam para a concretização da empreitada. Mas, os recursos eram poucos e então foi solicitada a colaboração do Reino de Portugal que destinou 70 contos de réis de ajuda até a Igreja ficar pronta. Foi assim que tudo começou. São essas recordações avoengas que não podem calar, sobretudo porque isso tudo é história e história é vida. É a vida dos nossos antepassados que viveram essa fé. Uma fé tão profunda que até os mais letrados encontram dificuldade para bem definir o quanto ela representa na vida de cada maragogipano, pois os moradores desta terra sempre tiveram por seu Padroeiro – SÃO BARTOLOMEU, um amor puro e profundo.

Do Bando Anunciador até a procissão (na última segunda-feira do mês de agosto) tudo será festa. A lavagem do templo, com água e sabão, carinho e devoção, representa o ato preparatório para as celebrações que já trazem em si o quanto vai em cada mente e em cada coração de dedicação ao seu Patrono. No novenário, a igreja cheia, mãos contritas e levantadas implorando a misericórdia divina é sempre um clamor de fé de muitas “almas ... reunidas...” que imploram ao seu Padroeiro, especialmente paz e concórdia, sem perder  o foco no maior de todos os mandamentos “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Na aurora do dia 24 de Agosto, dia maior porque é o dia do nosso Padroeiro – SÃO BARTOLOMEU, nosso pároco celebrará a missa solene das cinco horas da manhã. Essa celebração é ímpar na história das celebrações religiosas. Na homilia, o Pregador recordará o exemplo do apóstolo Bartolomeu. A mensagem do Santo Evangelho lembrará a necessidade que temos de seguir o exemplo do nosso Ínclito Padroeiro e buscará uma definição para o traço que liga o povo de Maragogipe ao seu santo Patrono. Um povo que em meio a tudo não perde a fé, acredita nos seus irmãos e por isso se sente gratificado e feliz por “acordar mais cedo para mais cedo poder louvar seu Padroeiro” como bem disse um dia nosso querido Pe. Sadoc.

Em meio a orações, hinos, cânticos e louvores, faremos “nossas orações fervorosas” chegarem ao nosso Padroeiro – SÃO BARTOLOMEU que é e sempre será nosso guia. Aquele que não permitirá que o desânimo se abata sobre seus filhos e que todos irmanados no verdadeiro espírito de fraternidade mantenham sempre no coração a semente do amor. Todos estarão a postos para receber sua benção quando Ele deixar sua Matriz para percorrer os quatro cantos da cidade, em solene procissão, e deitar sobre cada um de seus filhos o olhar paternal de proteção, encerrando assim, de forma apoteótica, mais um ciclo de festas. Nessa hora, com todas as forças do nosso ser,  entoaremos o mais expressivo hino de jubilo que houver em nossos corações por termos gozado mais uma vez dos dias venturosos de orações, cânticos, alegrias, e tudo que houver concorrido para fazer das tradicionais “festas de Agosto” o testemunho de que Maragogipe é Terra de SÃO BARTOLOMEU!

Abilio Ubiratan/ago2012.