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Panorâmica de Maragogipe
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

OS ALEMÃES E A ARQUITETURA DE MARAGOGIPE

 

 

Falar na arquitetura de Maragogipe no momento é  “como malhar em ferro frio”.  Há muito tempo assistimos a derrubada do nosso acervo arquitetônico e nada acontece, mesmo porque é costume antigo em nossa velha cidade se fazer modificações nos imóveis e até a derrubado total e os órgãos locais não tomam conhecimento, pois não há pedido de licença para reforma ou demolição.

O maior exemplo está na Rua Nova do Comércio, primeira rua da cidade, atualmente conhecida como D. Geni de Morais toda descaracterizada. Em outras ruas mais novas a sanha de modernismo é a mesma, velhos casarões vão sendo demolidos e a cidade vai ganhando uma arquitetura quadrada, dando ares de modernidade às novas fachadas sem nenhum vínculo com o nosso passado colonial.

Nessa onda modernizadora escapam os prédios que foram construídos pelos alemães de Dannemann e Suerdieck, no auge da era industrial dos charutos. É por isso  que temos vários prédios espalhados pela cidade e que embelezam o ambiente urbano e que resolvemos destacar:

Prédio situado na Rua Bernardino Borges, local onde funcionou por muito tempo a clinica São Bartolomeu e a Secretaria de Saúde de Maragogipe.  Construído pelo Alemão Gherard Meyer Suerdieck era conhecido da  população local  como Vila Suerdieck.

Ainda na mesma rua temos outra construção feita pelo alemão John Schinks, situado quase em frente ao prédio da antiga vila Suerdieck.

Na Rua D. Antônio Macedo Costa temos dois belos imóveis. O da família do saudoso Oscar Guerreiro, construído  pelo alemão Kurt Wippermann e outro no final da mesma rua, em frente à Ladeira São Pedro  que muitos pensavam que era alemão seu construtor, mas o Sr Eloy da Silva era brasileiro só que falava fluentemente alemão, daí a confusão.

Na Rua Júlio dos Santos Sá tem outro casarão, onde hoje está a sede da FUNDAÇÃO OSVALDO SÁ, pertencente aos herdeiros do historiador Osvaldo Sá, construído pelo alemão: Karl Kasperral.

Já os alemães da firma Dannemann  residiram no sobrado que pertence ao Sr. Manoel da Venda, na Travessa Capitão Mor, não temos notícia quem foi seu construtor.

Ai temos mais um resumo de anotações antigas sobre a  nossa terra e que pulicamos para aqueles que admiram nossa história.

Abílio Ubiratan

NOV/2025/bj

sábado, 30 de setembro de 2023

 

GREVES EM MARAGOGIPE

 

Em 1919 ocorreu uma greve geral em todas as fábricas de charutos de Maragogipe por melhores salários. Após uns dias de paralização foi concedido um aumento de 10% a todos os operários e a greve teve fim.

Em 1925 ocorreu a segunda greve na Suerdieck motivada pela demissão de três operárias. Na época a empresa decidiu que as operárias que dessem mais de 20% de refugos  seriam dispensadas e isso ocorreu com três demitidas. Protestando  contra as  demissões os dirigentes sindicais criaram uma confusão na entrada da fábrica facilitando a entrada de estranhos no recinto de trabalho. Entre os invasores alguns portavam pequenos embrulhos dizendo que tinham bananas de dinamite e que iam explodir a fábrica. Pronto! tumulto generalizado e os operários deixaram o recinto e entraram em greve.

A paralização só terminou alguns dias depois com a chegada de forças policiais enviadas pelo Governador  do Estado, Dr. Gois Calmon (1924-1928). Com o término da confusão o Delegado de Polícia da época Sr. Anísio Malaquias instaurou o inquérito policial que nunca teve fim mesmo tendo sidos identificados os responsáveis pela confusão: Verdival Pitanga, Bartolomeu Brito Souza e Décio Quadros este tinha sido demito da empresa dias antes.

Fonte: Suerdieck Epopéia do Gigante,

 de Ubaldo Marques Porto Filho

 

Para você que admira a história de Maragogipe recomendamos a leitura desse livro. Por certo será uma leitura produtiva, pois  você vai conhecer todas as dificuldades e triunfos de Suerdieck, além de aprender mais sobre a história da fabricação de charutos”

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

QUANDO A FÉ FALA MAIS ALTO

 

ROMARIA DOS OPERÁRIOS DA FÁBRICA SUERDIECK - 11 DE MAIO DE 1970

A Suerdieck começou em Maragogipe como barracão de escolha de fumo e somente alguns anos depois passou a produzir charutos tendo evoluído para se tornar a maior empresa do ramo no nordeste brasileiro, com filiais em vários estados e até na Europa. 

Desde a sua criação que a Suerdieck instituiu o sistema de pagamento semanal aos seus empregados. Então, no momento em que começaram as dificuldades financeiras do grupo a partir dos anos 60 e que evoluíram e nos anos 70 já haviam se transformado em um grande problema toda a economia local sofreu os efeitos da crise. No início dos  anos 70 a situação se tornou gravíssima e a Suerdieck chegou a ficar quatorze semana sem pagar o salário dos trabalhadores. Essa situação gerou uma crise sem precedentes na economia de Maragogipe e consequentemente em toda região.

Em meio à crise que se abateu sobre a Suerdieck os trabalhadores foram os maiores baluartes para o soerguimento da mesma uma vez que mesmo sem receber o seu salário por período tão longo continuaram trabalhando sustentados na esperança de um dia receber, como de fato ocorreu.

Mas, uma coisa chamou a atenção da imprensa da época. Apelando para a fé do povo maragogipano, o Pe. Florisvaldo organizou uma romaria para implorar a proteção do Padroeiro São Bartolomeu para que a cidade saísse daquela situação. Exatamente no dia 11 de junho de 1970 a cidade se movimentou e uma enorme procissão saiu da matriz com destino à capela do Cruzeiro.

A histórica manifestação religiosa foi um espetáculo de rara beleza e demonstração de fé que jamais se repetiu em Maragogipe demonstrando a confiança dos moradores em seu Protetor. Portando lamparina com velas acessas a procissão subiu a ladeira do Cruzeiro e os que ficaram no adro da Matriz puderam sentir a vibração daquelas “almas reunidas“ implorando ao seu Padroeiro solução para tão grave situação. Certo é que, por muitos dias não se falou em outro evento a não ser o espetáculo daquela noite memorável. Pois bem, passados alguns dias como ocorre sempre nesses casos, como um passe de mágica, chega a notícia de que o Governo Federal havia concedido um empréstimo à Suerdieck capaz de saldar seus compromissos, incluindo os salários atrasados dos operários. Hoje, passados tantos anos, perguntamos a fé tem ou não tem força? Responda aí para meu melhor entendimento foi milagre?

Abílio Ubiratan

 


Fonte: ARQUIVO. Maragogipe, 27 de maio de 1970. Nº 201, p. 1

 

terça-feira, 24 de maio de 2022




 SUERDIECK DADOS HISTÓRICOS

A Suerdieck tivera seu início em 1888 com o alemão August Wilhelm Suerdieck na cidade de Cruz das Almas. Em 1899, em pleno crescimento, os negócios da Suerdieck foram estendidos até a cidade de Maragohipe onde foi edificado o primeiro armazém na Praça Sebastião Pinho. Em 1905, foi dado início a primeira fábrica de charutos Suerdieck. “A cidade oferecia ótimas condições, com excelentes charuteiras, rio navegável com porto natural - o que facilitava o escoamento da produção para Salvador e de lá para o exterior - além de possuir boa infraestrutura. Inicialmente a fábrica funcionou com cinco operários, em 1909 eram duzentos e em 1915, contava com setecentos trabalhadores” (p. 22-23). A década de 50 marcou o apogeu da Suerdieck e consequentemente de Maragogipe já que dos seus 4.128 funcionários 2.052 eram da cidade. A crise da Suerdieck começou em 1968 e atingiu profundamente Maragogipe em 1992 quando a fábrica foi fechada e transferida para Cruz das Almas devido à sua localização às margens da BR 101.

Fonte: GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA. Carnaval de Maragogipe. Secretaria de Cultura. IPAC.
Salvador-BA.