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Panorâmica de Maragogipe
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sábado, 17 de fevereiro de 2024

ROMARIAS EM MARAGOGIPE

 

ROMARIA

 O costume de realizar romaria nas festas religiosas nos parece, salvo melhor informação, que é costume advindo da tradição portuguesa. A romaria  era motivo de alegria nas celebrações religiosas, em especial no período das festas do Padroeiro São Bartolomeu.

 Em Maragogipe o costume de realizar romarias na época das festas de São Bartolomeu vem de muito longe. E mesmo durante o ano as romarias eram realizadas com muita animação. Contado era o dia em que não aparecia um grupo numeroso de cavaleiros e amazonas, vindos da zona rural, para a realização de romaria ao santo Padroeiro da Terra das Palmeiras.

 No local onde hoje existe um antigo posto de combustíveis, no Largo da Matriz,  existia até o início dos anos 80 do século passado um frondoso pé de oiti. Sob a bondosa sombra do oitizeiro os animais eram amarrados e os rurícolas se dirigiam à matriz para suas orações, preces e agradecimentos e em seguida em grupo cantavam louvores ao santo dando voltas em torno da igreja num espetáculo de rara beleza e demonstração de fé e devoção.

 Terminadas as orações retornavam para suas regiões e lá então havia a segunda parte das comemorações com muita música, bebidas, farta distribuição de comida num ambiente bastante animado.

 Ainda temos espalhadas no só pelo Estado da Bahia, mas por todo o Brasil, paróquias que mantem a tradição das romarias só que, por força do progresso, são romarias utilizando-se as estradas de rodagem e ônibus bastante confortáveis.

 Pena não termos mantido a tradição das romarias em agradecimento por uma graça ou milagre alcançados ao nosso Padroeiro SÃO BARTOLOMEU.

 Abilio Ubiratan

Out/2021


Texto escrito em momento de recordações.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

QUANDO A FÉ FALA MAIS ALTO

 

ROMARIA DOS OPERÁRIOS DA FÁBRICA SUERDIECK - 11 DE MAIO DE 1970

A Suerdieck começou em Maragogipe como barracão de escolha de fumo e somente alguns anos depois passou a produzir charutos tendo evoluído para se tornar a maior empresa do ramo no nordeste brasileiro, com filiais em vários estados e até na Europa. 

Desde a sua criação que a Suerdieck instituiu o sistema de pagamento semanal aos seus empregados. Então, no momento em que começaram as dificuldades financeiras do grupo a partir dos anos 60 e que evoluíram e nos anos 70 já haviam se transformado em um grande problema toda a economia local sofreu os efeitos da crise. No início dos  anos 70 a situação se tornou gravíssima e a Suerdieck chegou a ficar quatorze semana sem pagar o salário dos trabalhadores. Essa situação gerou uma crise sem precedentes na economia de Maragogipe e consequentemente em toda região.

Em meio à crise que se abateu sobre a Suerdieck os trabalhadores foram os maiores baluartes para o soerguimento da mesma uma vez que mesmo sem receber o seu salário por período tão longo continuaram trabalhando sustentados na esperança de um dia receber, como de fato ocorreu.

Mas, uma coisa chamou a atenção da imprensa da época. Apelando para a fé do povo maragogipano, o Pe. Florisvaldo organizou uma romaria para implorar a proteção do Padroeiro São Bartolomeu para que a cidade saísse daquela situação. Exatamente no dia 11 de junho de 1970 a cidade se movimentou e uma enorme procissão saiu da matriz com destino à capela do Cruzeiro.

A histórica manifestação religiosa foi um espetáculo de rara beleza e demonstração de fé que jamais se repetiu em Maragogipe demonstrando a confiança dos moradores em seu Protetor. Portando lamparina com velas acessas a procissão subiu a ladeira do Cruzeiro e os que ficaram no adro da Matriz puderam sentir a vibração daquelas “almas reunidas“ implorando ao seu Padroeiro solução para tão grave situação. Certo é que, por muitos dias não se falou em outro evento a não ser o espetáculo daquela noite memorável. Pois bem, passados alguns dias como ocorre sempre nesses casos, como um passe de mágica, chega a notícia de que o Governo Federal havia concedido um empréstimo à Suerdieck capaz de saldar seus compromissos, incluindo os salários atrasados dos operários. Hoje, passados tantos anos, perguntamos a fé tem ou não tem força? Responda aí para meu melhor entendimento foi milagre?

Abílio Ubiratan

 


Fonte: ARQUIVO. Maragogipe, 27 de maio de 1970. Nº 201, p. 1