ARQUIVO DE MARAGOGIPE
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Panorâmica de Maragogipe
sábado, 18 de abril de 2026
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
O GALÃ VENDEDOR DE ACAÇÁ
Meu amigo Tatay, colaborador deste blog, me contou um dia desse uma das muitas estórias que ouviu contar sobre um conhecido de sua família e que pela espiritualidade do mesmo achei interessante e aqui reproduzo para conhecimento dos meus leitores.
Yoyô, como era conhecido, era figura arreliada, como se dizia daqueles tempos. O sujeito tinha sempre um gracejo e astúcia para provocar risos nos que lhe assistiam. Entre as qualidades do Yoyô uma se destacava: não tinha vocação para viver de emprego fixo. Assim, sua vida era um rosário de estórias e situações engraçadas que ele criava sempre para tirar algum proveito e dessa maneira ir levando a vida na valsa.
Ele dizia que sua imaginação nunca lhe deixou na mão e dessa forma sobrevivia da sua astúcia. Experimentou de tudo e vivendo de pouso em pouso aprendeu como é preciso ter malícia para sobreviver uma vez que não aturava ter patrão.
Certa feita, residia o Yoyô em Salvador e sem meios de sobrevivência aceitou ser vendedor de acaçá, ocupação que lhe obrigava sair pelas ruas do centro de Salvador, com tabuleiro na cabeça, vendendo seu produto e dessa forma ia ganhando que dava para comer.
Um belo dia soube que um cidadão morreu repentinamente e deixou um guarda roupa respeitável. Não pensou duas vezes. Procurou a família do falecido que lhe doou alguns ternos, todos em boas condições de uso. Como o nosso Yoyô era tirado a cantor, bom de papo e boa pinta apesar de narigudo, às vezes deixava o tabuleiro dos acaçás e trajava-se para ir ao centro de Salvador passear. Nessa época a venda de acaçás passou a ser só pela manhã, pois, à tarde era só passeios com os ternos que ganhou do defunto.
Numa tarde de primavera, desfilava na Rua Chile, todo elegantemente de terno e gravata, sapato da moda quando deu de cara com Valdelice, jovem professora, solteira em ponto de casar, simpática, um anjo. Foi amor à primeira vista. Formou um namoro com a simpática professorinha e apresentou-se como Ten. Telegrafista do navio Almirante Barroso que estava em visita à Capital Salvador. Por alguns dias encontrou-se com a mocinha e firmou a amizade evitando sempre que podia desviar a dos convites que a moça lhe fazia para ir conhecer sua família. .
Pois bem, certo dia bem cedo, como precisava trabalhar para poder ter o que comer, pegou seu tabuleiro de acaçá e foi pra Baixa dos Sapateiros seu trecho de venda preferido. Mas, como Deus protege os inocentes e escreve certo por linhas tortas, o sortudo tenente ia mercando seis acaçás quando de repente sai de uma loja a simpática Valdelice. Foi o maior susto e o tabuleiro de acaçás que trazia na cabeça esparramou-se pelo chão e nosso amigo Yoyô esbaforido sumiu na multidão. Desceu o Taboão e foi direto para a Baiana pegando o navio com destino a nossa Maragogipe, nunca mais o tenente telegrafista voltou a Salvador.
Certo é que, depois dessa, o nosso Yoyô, também conhecido pelo apelido de “Jorge Veiga”, pois imitava o cantor nas horas necessárias, nunca mais voltou a Salvador colocando um ponto final no casamento que já estava encaminhado com o Ten. Telegrafista.
Foi isso mesmo,Tatay?
Por Abílio Ubiratan
Out2025/BJ
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
VILA DE CAPANEMA
Atendendo a curiosidade de um amigo ai está o post quer publicamos no instagram a respeito do nome da sede da Vila do Guaí.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
OS ALEMÃES E A ARQUITETURA DE MARAGOGIPE
Falar na arquitetura de Maragogipe no
momento é “como malhar em ferro frio”. Há muito tempo assistimos a derrubada do nosso
acervo arquitetônico e nada acontece, mesmo porque é costume antigo em nossa
velha cidade se fazer modificações nos imóveis e até a derrubado total e os
órgãos locais não tomam conhecimento, pois não há pedido de licença para
reforma ou demolição.
O maior exemplo está na Rua Nova do
Comércio, primeira rua da cidade, atualmente conhecida como D. Geni de Morais
toda descaracterizada. Em outras ruas mais novas a sanha de modernismo é a
mesma, velhos casarões vão sendo demolidos e a cidade vai ganhando uma arquitetura
quadrada, dando ares de modernidade às novas fachadas sem nenhum vínculo com o
nosso passado colonial.
Nessa onda modernizadora escapam os
prédios que foram construídos pelos alemães de Dannemann e Suerdieck, no auge
da era industrial dos charutos. É por isso que temos vários prédios espalhados pela
cidade e que embelezam o ambiente urbano e que resolvemos destacar:
Prédio situado na Rua Bernardino
Borges, local onde funcionou por muito tempo a clinica São Bartolomeu e a
Secretaria de Saúde de Maragogipe.
Construído pelo Alemão Gherard Meyer Suerdieck era conhecido da população local como Vila Suerdieck.
Ainda na mesma rua temos outra
construção feita pelo alemão John Schinks, situado quase em frente ao prédio da
antiga vila Suerdieck.
Na Rua D. Antônio Macedo Costa temos
dois belos imóveis. O da família do saudoso Oscar Guerreiro, construído pelo alemão Kurt Wippermann e outro no final
da mesma rua, em frente à Ladeira São Pedro que muitos pensavam que era alemão seu
construtor, mas o Sr Eloy da Silva era brasileiro só que falava fluentemente
alemão, daí a confusão.
Na Rua Júlio dos Santos Sá tem outro
casarão, onde hoje está a sede da FUNDAÇÃO OSVALDO SÁ, pertencente aos herdeiros
do historiador Osvaldo Sá, construído pelo alemão: Karl Kasperral.
Já os alemães da firma Dannemann residiram no sobrado que pertence ao Sr.
Manoel da Venda, na Travessa Capitão Mor, não temos notícia quem foi seu
construtor.
Ai temos mais um resumo de anotações
antigas sobre a nossa terra e que
pulicamos para aqueles que admiram nossa história.
Abílio Ubiratan
NOV/2025/bj

