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Panorâmica de Maragogipe
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sexta-feira, 21 de junho de 2024

VILA DE COQUEIROS HISTÓRIA E DEVOÇÃO

 

COQUEIROS DO PARAGUAÇU

105 ANOS DA ESMOLA CANTADA

 

Quem viaja de São Felix a Maragogipe  na entrada da Vila de Coqueiros encontra uma antiga capela em ruinas. Nessa capela, num  passado distante, celebrava-se N. S. do Rosário e foi em torno dela que começaram a surgir as primeiras casas dando origem ao povoado que se transformou na Vila de Coqueiros do Paraguaçu.

Por ser uma área na qual existia um barro de excelente qualidade, os primeiros moradores logo passaram a confeccionar utensílios para uso no dia a dia como purrões, potes, panelas, tachos, frigideiras, alguidares e outros, assim contavam os antigos. Ao lado do artesanato aqueles moradores cultivavam agricultura de subsistência, a pesca e mariscagem.  O vilarejo cresceu e os antigos donos da fazenda Rosário proibiram os moradores da extração do barro, nos arredores da capela, chegando a colocar cercas em torno da mesma impedindo os mesmo até de frequentá-la.

Foi diante dessa proibição dos donos da fazenda que a antiga capela entrou em decadência e os moradores tiveram a ideia de construir uma nova capela mais para o centro do povoado, surgindo  a capela que depois se transformou em igreja e na qual foi entronizada a imagem de N.S da Conceição. Com o constante crescimento da comunidade a nova capela se tornou pequena e foi aí que promoveram uma “esmola cantadas”  para angariar recursos para promover a ampliação da capela e isso ocorreu, segundo jornais da época, em 1919, nascendo então a esmola cantada de Coqueiros do Paraguaçu que este ano estará completando 105 anos.

A esmola cantada é uma manifestação cultural da Vila de Coqueiros que tendo ultrapassado seus cem anos  é realizada todos os anos no dia 8 de dezembro após a missa, com os moradores, homens, mulheres e crianças, sem distinção de classe ou condição social, saindo em grupo, com instrumentos musicais, muitas vezes rudimentares, percorrendo todas as casas com o propósito de angariar recursos para a realização da festa em louvor à Virgem Santa. O cortejo entoa cânticos religiosos rendendo homenagens à Santíssima Virgem ao tempo em que, proporciona um ambiente de alegria entre os moradores da vila e pessoas outras que participam da mesma.

Sendo a Festa da Conceição comemorada em todo o estado, os moradores de Coqueiros houve um tempo que passaram a ter dificuldades para contratar padre, filarmônica  para a realização da festa de sua Padroeira. Então, tiveram a idéia, logo posta em prática, de realizar no dia 8 de dezembro, Dia de N> S. da Conceição, uma missa simples e logo após sair a esmola cantada e no final do mês, isto é, de 23 de dezembro ao dia 1º de janeiro, realizar a Festa da Conceição da Vila de Coqueiros do Paraguaçu, com novenas, alvorada festiva, missa solene, e procissão no dia 1º de janeiro em homenagem ao bom Jesus dos Navegantes, este protetor dos pescadores, marinheiros e mestres dos saveiros que por muito tempo fizeram parte da economia local.

Por falar em saveiros vale salientar que esses veículos, numa época em que não tínhamos estrada e somente a rota marítima para contato com a capital do estado e municípios vizinhos, os saveiros desempenharam um papel muito importante para a economia das vilas e cidades do recôncavo da Bahia. Eram os saveiros responsáveis por transportar mercadorias e pessoas e transportando pessoas, transportavam também sonhos e esperanças. Foram contados nesta região mais de cem embarcações e hoje estão reduzidos a uns poucos graças a falta de apoio dos poderes públicos, deixando que morra uma atividade que já teve sua época de progresso e que muito contribuiu para o desenvolvimento da região.

Por fim é bom notar que em Coqueiros,  terra de gente ordeira e trabalhadora, paisagens belíssimas emolduradas pela beleza e meiguice de suas filhas, durante todo o ano tem atrativos que agradam ao gosto de turistas e visitantes, oferecendo aos mesmos, por exemplo,  uma gastronomia  focada na culinária baiana servida nos seus vários restaurantes situados no antigo porto da vila e que tanto agrada ao paladar. 

A Vila de Coqueiros, tem beleza e tem história, um local de trabalho, fé e devoção para orgulho dos seus filhos está sempre de braços abertos para receber os visitantes.

 

Por Abílio Ubiratan.

Jun/2024

quinta-feira, 22 de junho de 2023

COMO FOI DADO NOME À VILA DE SÃO ROQUE

 

Fonte/Internet

SÃO ROQUE DO PARAGUAÇU

Pequeno histórico

O atual distrito de São Roque do Paraguaçu foi originário de uma aldeia de pescadores de longas datas, talvez por volta do século XIX. A história da escolha do nome do lugar teve origem com a ocorrência de uma epidemia de varíola que assolou o vilarejo dizimando principalmente crianças e idosos.

Diante de quadro tão assustador certo dia, logo cedo, quando um velho pescador, de nome Raimundão, ia para a sua faina diária, conversando com seu companheiro queixou-se do seu sofrimento em ter perdido a companheira de muitos anos, sem nada poder fazer, pela tal da “bexiga” e agora estava na iminência de perder um neto em situação idêntica. Em dado momento acreditando que só um milagre o livraria daquele sofrimento, de imediato, ao levantar as vistas, deu com a visão sobre o horizonte da imagem de um homem com um cão ao lado a lamber-lhe os ferimentos ao que ele exclamou: “Valha-me, São Roque!”. Ao retornar da pescaria contou aos vizinhos e amigos o ocorrido e logo soube que seu neto, e as outras pessoas que estavam doentes,  estavam curadas e a partir daí a doença deixou o povoado. Foi assim então que os moradores escolheram o nome do lugar, em consequência desse grande milagre, e a vila passou a se chamar Vila de  São Roque, para depois acrecentar-lhe do Parasguaçu.

 

AS DIVERSAS DIVISÕES ADMINSTRATIVAS

De acordo com o IBGE o Distrito de São Roque do Paraguaçu foi  criado pelo  Decreto Estadual n.º 8.311, de 15-02-1933, com território desmembrado do distrito de Santo Antônio do Capanema  (denominação do atual Distrito do Guaí) e anexado ao município de Maragogipe. Em nova divisão administrativa do ano de 1933 o Município de Maragogipe aparece constituído de 6 distritos: Maragogipe, Santo Antônio de Capanema, Caveiras, Coqueiros, Nagé e São Roque do Paraguaçu.

Pelo Decreto Estadual n.º 11.089, de 30-11-1938, o distrito de Caveiras tomou a denominação de Guapira e São Roque do Paraguaçu passou a chamar-se simplesmente São Roque.

No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 6 distritos: Maragogipe, Capanema, Coqueiro (ex-Coqueiros), Guapira (ex-Caveiras), Nagé, São Roque (ex-São Roque do Paraguaçu).

Pelo Decreto-lei Estadual n.º 141, de 31-12-1943, retificado pelo Decreto Estadual n.º 12.978, de 01-06-1944, os distritos de Capanema e São Roque passaram a chamar-se, respectivamente Guaí e São Roque do Paraguaçu.

A divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município de Maragogipe permaneceu  constituído de 6 distritos a saber: Maragogipe, Coqueiros, Guaí, Guapira, Nagé e São Roque do Paraguaçu, permanecendo em nova divisão territorial datada de 2021.

 

ATIVIDADE ECONÔMICA

 

Como a Vila de São Roque foi originária de uma vila de pescadores por muitos anos teve vida econômica bastante precária, pois os moradores viviam basicamente da atividade pesqueira e mariscagem e pequenas plantações. A partir da criação da linha do “vapor de Cachoeira” e da construção do cais os moradores passaram a vender na atração do navio todo tipo de guloseimas, mariscos e pescados. A atividade foi incrementada com a chegada da linha da Estrada de Ferro de Nazaré e como consequência aconteceu melhorias nas habitações que passaram a ser de tijolos e cobertas de telhas, desprezando-se as velhas casas de taipa cobertas de palhas.

            A Estrada de Ferro trouxe ainda o matadouro que abastecia Salvador de carne bovina e o porto, que fora melhorado, passou a ser ponto de embarque do manganês que abastecia a indústria siderúrgica instalada na vizinhança da Capital Salvador e era remetido também para outros estados e até para o exterior.

Assim, o Distrito de São Roque com uma vida econômica superior aos outros distritos de Maragogipe, na visão dos seus habitantes, merecia ser cidade e foi justamente esse sentimento que motivou a campanha pela emancipação política que acabou vindo através Lei Ordinária nº 1519, de 17 de outubro de 1961.

O Distrito de São Roque do Paraguaçu já teve uma  A estação da antiga Estrada de Ferro de Nazaré que era uma continuação da linha férrea que ligava Nazaré a Jequié, com a desativação da estrada de ferro no ano de 1967 ficou por muitos anos desativados até que em 1978 o Governador Roberto Santos instalou ali um estaleiro para construção e recuperação dos equipamentos da Petrobrás.

Posteriormente, em 2012,  outro estaleiro foi construído no vilarejo de Enseadinha. Esse outro empreendimento foi constituído pelo consórcio Odebrecht, Kawasaki, OAS e UTC, o qual veio a ser denunciado na operação Lava Jato e razão pela qual foi desativado. É bom frisar que o encerramento das atividades do estaleiro da Enseadinha causou grande número de desempregados provocando mais uma grande crise econômica para o município.

 

Resumo elaborado para um grupo de alunos do CESF

Por Abílio Ubiratan

Em 20/jun/2023

quinta-feira, 16 de março de 2023

CASA GRANDE DA FAZENDA SÃO ROQUE


 

Atualmente a Vila de São Roque do Paraguaçu abriga um estaleiro da Petrobras para construção e reforma de plataformas de exploração de petróleo. No passado aquela Vila abrigava pescadores, marisqueiras, pequenos agricultores e mais os carpinteiros ocupados nos pequenos estaleiros para construção e reparo dos saveiros de vela de içar principal meio de transporte entre as cidades e vilas do baixo Paraguaçu e a capital da província, transportando todo tipo de mercadorias e também “gente e sonhos” como bem disse o poeta. Na Vila de São Roque estão situadas a Casa Grande e Capela da antiga Fazenda São Roque, um dos monumentos tombados pelo Iphan no município de Maragogipe. A Casa Grande é uma construção do séc. XVIII, erguida sobre planta retangular tendo por base um corredor longitudinal, dispondo de quartos laterais ao corredor, salas e área de serviços, num só conjunto. Destaca-se na parte externa uma espaçosa varanda, recoberta por telhado em três águas, sustentado por colunas com capitel toscano quadrados, chamando atenção o aspecto raro do tipo de construção na Bahia. Um pouco acima da casa grande fica a Capela de São Roque, no ponto um pouco mais alto, sendo que no espaço entre a Casa Grande e a Capela surgiu a vila, habitada, ainda hoje, por uma população muito pobre, apesar das riquezas que são geradas com o funcionamento do estaleiro da Petrobrás.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

VILA MORENA


         Os distritos de Maragogipe não têm  suas datas de criação bem definidas. São da primeira metade do sec.XVII os distritos da Sede, Nagé e Guai (antigo Capanema). Fora o distrito Sede o distrito de Nagé é o mais importante, porquanto já foi freguesia com pároco e tudo. A propósito conta-se que o Pe. Onofre de tal, tendo vindo participar da lavagem de S.Bartolomeu, comandando uma comitiva da Vila de Nagé, deu-se de entusiasmo e terminou dançando como uma das balizas, atitude que culminou com uma representação junto arcebispado. Não sabemos como terminou essa história.

A Vila de Nagé tem em Senhor do Bonfim sua devoção maior, instituída na época da sua criação, pois, naquela  época a Igreja Católica estava muito ligada aos colonizadores e por isso qualquer comunidade criada tinha obrigatoriamente que ter uma devoção  religiosa, maneira de manter  a população obediente aos mandatários da hora.

O ponto onde está situada a Vila de Nagé, ainda hoje, é o mesmo da época da chegada dos colonizadores portugueses. O local era o porto preferido pelos índios tapuias, habitantes de Santo Antonio de Aldeia, pois, esses índios utilizavam muito o porto da vila de Nagé para se banharem e depois para suas trocas com os colonizadores que ali chegavam.

Muitos perguntam: por que Nagé é chamada de Vila morena? No nosso entendimento essa denominação é fruto da inspiração de algum poeta, mas tem sua razão de ser. A Vila de Nagé foi muito freqüentada pelos índios Quiriris (que habitavam na Pedra Branca) e pelos Tapuias (que habitavam em Santo Antonio de Aldeia). Tanto uma tribo quanto outra freqüentava a região onde se encontra a Vila. A chegada do colonizador português, como ocorreu em outros lugares, provocou uma mistura de raças, principalmente índias e portugueses. Daí, as belas morenas filhas de Nagé são fruto dessas uniões, o que tornou a Vila de Nagé Morena e bela pela presença da beleza feminina das suas filhas. Mas, Nagé tem muito mais. Tem rico artesanato; tem apreciável culinária; tem lendas e tem cultura, tem a devoção ao Senhor do Bonfim, tem um povo bom e hospitaleiro, sem esquecer seu filho mais ilustre: o Brigadeiro Seixas.

Abílio Ubiratan

27/01/2010