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Imagem em destaque
Panorâmica de Maragogipe
sábado, 18 de abril de 2026
sexta-feira, 21 de junho de 2024
VILA DE COQUEIROS HISTÓRIA E DEVOÇÃO
COQUEIROS DO PARAGUAÇU
105 ANOS DA ESMOLA
CANTADA
Quem viaja de São Felix a Maragogipe na entrada da Vila de Coqueiros encontra uma antiga
capela em ruinas. Nessa capela, num passado distante, celebrava-se N. S. do
Rosário e foi em torno dela que começaram a surgir as primeiras casas dando
origem ao povoado que se transformou na Vila de Coqueiros do Paraguaçu.
Por ser uma área na qual existia um barro de excelente qualidade,
os primeiros moradores logo passaram a confeccionar utensílios para uso no dia a
dia como purrões, potes, panelas, tachos, frigideiras, alguidares e outros, assim
contavam os antigos. Ao lado do artesanato aqueles moradores cultivavam
agricultura de subsistência, a pesca e mariscagem. O vilarejo cresceu e os antigos donos da
fazenda Rosário proibiram os moradores da extração do barro, nos arredores da
capela, chegando a colocar cercas em torno da mesma impedindo os mesmo até de
frequentá-la.
Foi diante dessa proibição dos donos da fazenda que a antiga
capela entrou em decadência e os moradores tiveram a ideia de construir uma
nova capela mais para o centro do povoado, surgindo a capela que depois se transformou em igreja
e na qual foi entronizada a imagem de N.S da Conceição. Com o constante crescimento
da comunidade a nova capela se tornou pequena e foi aí que promoveram uma
“esmola cantadas” para angariar recursos
para promover a ampliação da capela e isso ocorreu, segundo jornais da época,
em 1919, nascendo então a esmola cantada de Coqueiros do Paraguaçu que este ano
estará completando 105 anos.
A esmola cantada é uma manifestação cultural da Vila de Coqueiros
que tendo ultrapassado seus cem anos é
realizada todos os anos no dia 8 de dezembro após a missa, com os moradores,
homens, mulheres e crianças, sem distinção de classe ou condição social, saindo
em grupo, com instrumentos musicais, muitas vezes rudimentares, percorrendo todas
as casas com o propósito de angariar recursos para a realização da festa em
louvor à Virgem Santa. O cortejo entoa cânticos religiosos rendendo homenagens
à Santíssima Virgem ao tempo em que, proporciona um ambiente de alegria entre
os moradores da vila e pessoas outras que participam da mesma.
Sendo
a Festa da Conceição comemorada em todo o estado, os moradores de Coqueiros houve
um tempo que passaram a ter dificuldades para contratar padre, filarmônica para a realização da festa de sua Padroeira.
Então, tiveram a idéia, logo posta em prática, de realizar no dia 8 de
dezembro, Dia de N> S. da Conceição, uma missa simples e logo após sair a
esmola cantada e no final do mês, isto é, de 23 de dezembro ao dia 1º de janeiro,
realizar a Festa da Conceição da Vila de Coqueiros do Paraguaçu, com novenas,
alvorada festiva, missa solene, e procissão no dia 1º de janeiro em homenagem
ao bom Jesus dos Navegantes, este protetor dos pescadores, marinheiros e
mestres dos saveiros que por muito tempo fizeram parte da economia local.
Por
falar em saveiros vale salientar que esses veículos, numa época em que não
tínhamos estrada e somente a rota marítima para contato com a capital do estado
e municípios vizinhos, os saveiros desempenharam um papel muito importante para
a economia das vilas e cidades do recôncavo da Bahia. Eram os saveiros
responsáveis por transportar mercadorias e pessoas e transportando pessoas,
transportavam também sonhos e esperanças. Foram contados nesta região mais de
cem embarcações e hoje estão reduzidos a uns poucos graças a falta de apoio dos
poderes públicos, deixando que morra uma atividade que já teve sua época de
progresso e que muito contribuiu para o desenvolvimento da região.
Por
fim é bom notar que em Coqueiros, terra
de gente ordeira e trabalhadora, paisagens belíssimas emolduradas pela beleza e
meiguice de suas filhas, durante todo o ano tem atrativos que agradam ao gosto
de turistas e visitantes, oferecendo aos mesmos, por exemplo, uma gastronomia focada na culinária baiana servida nos seus
vários restaurantes situados no antigo porto da vila e que tanto agrada ao
paladar.
A
Vila de Coqueiros, tem beleza e tem história, um local de trabalho, fé e
devoção para orgulho dos seus filhos está sempre de braços abertos para receber
os visitantes.
Por
Abílio Ubiratan.
Jun/2024
quinta-feira, 22 de junho de 2023
COMO FOI DADO NOME À VILA DE SÃO ROQUE
SÃO
ROQUE DO PARAGUAÇU
Pequeno histórico
O
atual distrito de São Roque do Paraguaçu foi originário de uma aldeia de
pescadores de longas datas, talvez por volta do século XIX. A história da
escolha do nome do lugar teve origem com a ocorrência de uma epidemia de
varíola que assolou o vilarejo dizimando principalmente crianças e idosos.
Diante de quadro tão assustador certo dia,
logo cedo, quando um velho pescador, de nome Raimundão, ia para a sua faina
diária, conversando com seu companheiro queixou-se do seu sofrimento em ter
perdido a companheira de muitos anos, sem nada poder fazer, pela tal da “bexiga”
e agora estava na iminência de perder um neto em situação idêntica. Em dado
momento acreditando que só um milagre o livraria daquele sofrimento, de
imediato, ao levantar as vistas, deu com a visão sobre o horizonte da imagem de
um homem com um cão ao lado a lamber-lhe os ferimentos ao que ele exclamou:
“Valha-me, São Roque!”. Ao retornar da pescaria contou aos vizinhos e amigos o
ocorrido e logo soube que seu neto, e as outras pessoas que estavam doentes, estavam curadas e a partir daí a doença deixou
o povoado. Foi assim então que os moradores escolheram o nome do lugar, em consequência
desse grande milagre, e a vila passou a se chamar Vila de São Roque, para depois acrecentar-lhe do
Parasguaçu.
AS DIVERSAS DIVISÕES ADMINSTRATIVAS
De acordo com o
IBGE o Distrito de São Roque do Paraguaçu foi
criado pelo Decreto Estadual n.º
8.311, de 15-02-1933, com território desmembrado do distrito de Santo Antônio
do Capanema (denominação do atual
Distrito do Guaí) e anexado ao município de Maragogipe. Em nova divisão
administrativa do ano de 1933 o Município de Maragogipe aparece constituído de
6 distritos: Maragogipe, Santo Antônio de Capanema, Caveiras, Coqueiros, Nagé e
São Roque do Paraguaçu.
Pelo Decreto
Estadual n.º 11.089, de 30-11-1938, o distrito de Caveiras tomou a denominação
de Guapira e São Roque do Paraguaçu passou a chamar-se simplesmente São Roque.
No quadro fixado
para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 6 distritos:
Maragogipe, Capanema, Coqueiro (ex-Coqueiros), Guapira (ex-Caveiras), Nagé, São
Roque (ex-São Roque do Paraguaçu).
Pelo Decreto-lei
Estadual n.º 141, de 31-12-1943, retificado pelo Decreto Estadual n.º 12.978,
de 01-06-1944, os distritos de Capanema e São Roque passaram a chamar-se,
respectivamente Guaí e São Roque do Paraguaçu.
A divisão
territorial datada de 1-VII-1960, o município de Maragogipe permaneceu constituído de 6 distritos a saber:
Maragogipe, Coqueiros, Guaí, Guapira, Nagé e São Roque do Paraguaçu,
permanecendo em nova divisão territorial datada de 2021.
ATIVIDADE ECONÔMICA
Como a Vila de São
Roque foi originária de uma vila de pescadores por muitos anos teve vida
econômica bastante precária, pois os moradores viviam basicamente da atividade
pesqueira e mariscagem e pequenas plantações. A partir da criação da linha do
“vapor de Cachoeira” e da construção do cais os moradores passaram a vender na
atração do navio todo tipo de guloseimas, mariscos e pescados. A atividade foi
incrementada com a chegada da linha da Estrada de Ferro de Nazaré e como
consequência aconteceu melhorias nas habitações que passaram a ser de tijolos e
cobertas de telhas, desprezando-se as velhas casas de taipa cobertas de palhas.
A
Estrada de Ferro trouxe ainda o matadouro que abastecia Salvador de carne
bovina e o porto, que fora melhorado, passou a ser ponto de embarque do manganês
que abastecia a indústria siderúrgica instalada na vizinhança da Capital
Salvador e era remetido também para outros estados e até para o exterior.
Assim, o Distrito
de São Roque com uma vida econômica superior aos outros distritos de
Maragogipe, na visão dos seus habitantes, merecia ser cidade e foi justamente
esse sentimento que motivou a campanha pela emancipação política que acabou
vindo através Lei Ordinária nº 1519, de 17 de
outubro de 1961.
O
Distrito de São Roque do Paraguaçu já teve uma A estação da antiga Estrada de Ferro de Nazaré
que era uma continuação da linha férrea que ligava Nazaré a Jequié, com a
desativação da estrada de ferro no ano de 1967 ficou por muitos anos
desativados até que em 1978 o Governador Roberto Santos instalou ali um
estaleiro para construção e recuperação dos equipamentos da Petrobrás.
Posteriormente,
em 2012, outro estaleiro foi construído
no vilarejo de Enseadinha. Esse outro empreendimento foi constituído pelo
consórcio Odebrecht, Kawasaki, OAS e UTC, o qual veio a ser denunciado na
operação Lava Jato e razão pela qual foi desativado. É bom frisar que o
encerramento das atividades do estaleiro da Enseadinha causou grande número de
desempregados provocando mais uma grande crise econômica para o município.
Resumo elaborado para um grupo de alunos do CESF
Por Abílio Ubiratan
Em 20/jun/2023
quinta-feira, 16 de março de 2023
CASA GRANDE DA FAZENDA SÃO ROQUE
Atualmente a
Vila de São Roque do Paraguaçu abriga um estaleiro da Petrobras para construção e
reforma de plataformas de exploração de petróleo. No passado aquela Vila
abrigava pescadores, marisqueiras, pequenos agricultores e mais os carpinteiros ocupados nos pequenos estaleiros para construção e reparo dos saveiros de vela
de içar principal meio de transporte entre as cidades e vilas do baixo
Paraguaçu e a capital da província, transportando todo tipo de mercadorias e
também “gente e sonhos” como bem disse o poeta. Na Vila de São Roque estão
situadas a Casa Grande e Capela da antiga Fazenda São Roque, um dos monumentos
tombados pelo Iphan no município de Maragogipe. A Casa Grande é uma construção
do séc. XVIII, erguida sobre planta retangular tendo por base um corredor longitudinal,
dispondo de quartos laterais ao corredor, salas e área de serviços, num só
conjunto. Destaca-se na parte externa uma espaçosa varanda, recoberta por
telhado em três águas, sustentado por colunas com capitel toscano quadrados,
chamando atenção o aspecto raro do tipo de construção na Bahia. Um pouco acima
da casa grande fica a Capela de São Roque, no ponto um pouco mais alto, sendo
que no espaço entre a Casa Grande e a Capela surgiu a vila, habitada, ainda
hoje, por uma população muito pobre, apesar das riquezas que são geradas com o
funcionamento do estaleiro da Petrobrás.
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
VILA MORENA
Os distritos de Maragogipe não têm suas datas de criação bem definidas. São da primeira metade do sec.XVII os distritos da Sede, Nagé e Guai (antigo Capanema). Fora o distrito Sede o distrito de Nagé é o mais importante, porquanto já foi freguesia com pároco e tudo. A propósito conta-se que o Pe. Onofre de tal, tendo vindo participar da lavagem de S.Bartolomeu, comandando uma comitiva da Vila de Nagé, deu-se de entusiasmo e terminou dançando como uma das balizas, atitude que culminou com uma representação junto arcebispado. Não sabemos como terminou essa história.
A Vila de Nagé
tem em Senhor do Bonfim sua devoção maior, instituída na época da sua criação,
pois, naquela época a Igreja Católica
estava muito ligada aos colonizadores e por isso qualquer comunidade criada
tinha obrigatoriamente que ter uma devoção religiosa, maneira de manter a população obediente aos mandatários da
hora.
O ponto onde
está situada a Vila de Nagé, ainda hoje, é o mesmo da época da chegada dos
colonizadores portugueses. O local era o porto preferido pelos índios tapuias,
habitantes de Santo Antonio de Aldeia, pois, esses índios utilizavam muito o
porto da vila de Nagé para se banharem e depois para suas trocas com os
colonizadores que ali chegavam.
Muitos
perguntam: por que Nagé é chamada de Vila morena? No nosso entendimento essa
denominação é fruto da inspiração de algum poeta, mas tem sua razão de ser. A
Vila de Nagé foi muito freqüentada pelos índios Quiriris (que habitavam na
Pedra Branca) e pelos Tapuias (que habitavam em Santo Antonio de Aldeia). Tanto
uma tribo quanto outra freqüentava a região onde se encontra a Vila. A chegada
do colonizador português, como ocorreu em outros lugares, provocou uma mistura
de raças, principalmente índias e portugueses. Daí, as belas morenas filhas de
Nagé são fruto dessas uniões, o que tornou a Vila de Nagé Morena e bela pela
presença da beleza feminina das suas filhas. Mas, Nagé tem muito mais. Tem rico
artesanato; tem apreciável culinária; tem lendas e tem cultura, tem a devoção
ao Senhor do Bonfim, tem um povo bom e hospitaleiro, sem esquecer seu filho
mais ilustre: o Brigadeiro Seixas.
Abílio Ubiratan
27/01/2010



