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Panorâmica de Maragogipe

quinta-feira, 25 de abril de 2024

terça-feira, 26 de março de 2024

POESIA

 A Profa. Marta Bandeira cada dia mais me cativa com a sua peculiar amizade. A seguir publico o poema que ela fez em minha homenagem. Peço a Deus que aumente a inteligência a sabedorias da Profa. Marta Bandeira.


Tributo ao Historiador

 

Falar de Professor Bibito

É falar de um pesquisador

Alguém interessado na história

Do seu povo, do seu valor

 

Intelectual voltado à cultura

Sempre buscando o saber

Observando o passado

Para o presente entender

 

Diz que é apenas pesquisador

Mas, é um historiador nato

Ao seu grande conhecimento

Todos lhe são muito gratos

 

E assim Professor Bibito

Com sua mente vivaz

Oferece sua grande luz

Para nós, reles mortais!!!

 

 

Marta Bandeira


Aproveitando a oportunidade vai aqui também a homenagem que nossa querida Marta Bandeira fez ao nosso saudoso historiador Osvaldo Sá.



Maragogipe: Osvaldo Sá

 

 

Como falar de figuras ilustres

Cuja intelectualidade lhes é peculiar?

Como referir-me especialmente

A um conterrâneo de nome Osvaldo Sá?

 

Homem culto de valor ímpar

Em cuja mente a fertilidade se encerra

Registrado com amor

A história de uma terra

 

Terra à qual pertence

Cidade que demonstra amar

Como falar de Maragogipe

Sem citar Osvaldo Sá?

 

 

Marta Bandeira 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

ROMARIAS EM MARAGOGIPE

 

ROMARIA

 O costume de realizar romaria nas festas religiosas nos parece, salvo melhor informação, que é costume advindo da tradição portuguesa. A romaria  era motivo de alegria nas celebrações religiosas, em especial no período das festas do Padroeiro São Bartolomeu.

 Em Maragogipe o costume de realizar romarias na época das festas de São Bartolomeu vem de muito longe. E mesmo durante o ano as romarias eram realizadas com muita animação. Contado era o dia em que não aparecia um grupo numeroso de cavaleiros e amazonas, vindos da zona rural, para a realização de romaria ao santo Padroeiro da Terra das Palmeiras.

 No local onde hoje existe um antigo posto de combustíveis, no Largo da Matriz,  existia até o início dos anos 80 do século passado um frondoso pé de oiti. Sob a bondosa sombra do oitizeiro os animais eram amarrados e os rurícolas se dirigiam à matriz para suas orações, preces e agradecimentos e em seguida em grupo cantavam louvores ao santo dando voltas em torno da igreja num espetáculo de rara beleza e demonstração de fé e devoção.

 Terminadas as orações retornavam para suas regiões e lá então havia a segunda parte das comemorações com muita música, bebidas, farta distribuição de comida num ambiente bastante animado.

 Ainda temos espalhadas no só pelo Estado da Bahia, mas por todo o Brasil, paróquias que mantem a tradição das romarias só que, por força do progresso, são romarias utilizando-se as estradas de rodagem e ônibus bastante confortáveis.

 Pena não termos mantido a tradição das romarias em agradecimento por uma graça ou milagre alcançados ao nosso Padroeiro SÃO BARTOLOMEU.

 Abilio Ubiratan

Out/2021


Texto escrito em momento de recordações.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

O CARNAVAL ESTÁ CHEGANDO

 

RECORDAÇÕES E LEMBRANÇAS DE ANTIGOS CARNAVAIS NA CIDADE DAS PALMEIRAS

 

Segundo o Jornal Nova Era no ano de 1887 a Filarmônica Terpsycore, fundada em 1880, criou um bloco de fantasiados e mascarados denominado de Filhos da Terpsycore e aí teve inicio oficialmente o Carnaval de Maragogipe, tendo em vista que até aquele ano, na época do carnaval, em Maragogipe se realizava o entrudo. Com base no registro acima podemos dizer que o Carnaval de Maragogipe tem pouco mais de cem anos. Dessa época são memoráveis os blocos que se denominavam cordões sendo os mais destacados um cordão formado só de mulheres que exerciam a profissão mais antiga do mundo. Também da mesma ocasião era o Bloco do Silêncio que deu origem ao Bloco das Almas, este existente até hoje e que mantém a tradição de se organizar na porta do cemitério e depois percorrer as principais ruas da cidade que atualmente ocorre na noite de sexta-feira e que no inicio acontecia zero hora de sábado de carnaval. Merece destaque também um clube que fez grande sucesso na cidade que foi o Club dos Alemães e que veio a se transformar e evoluir para Radio Clube Maragogipano. Realizando grandes bailes a fantasias na década de 1950 tivemos ainda a Associação Atlética Maragogipana todos realizando bailes a fantasias para seus associados.

Nas ruas da cidade nos dias de Carnaval desfilaram com grande animação inúmeros blocos e cordões a exemplo dos blocos dos Nagôs e dos Assustados. Ao lado dos blocos também desfilaram com grande sucesso os ternos com destaque para: Marujas, Espanholas, Turcas e Fauna e mais os ranchos do Macacão sempre com a presença de mascarados fantasiados, pierrôs, colombinas. Nessa época as filarmônicas realizavam passeatas pelas ruas da cidade promovendo muita musica e alegria.

Um velho costume de antigos carnavais na Cidade era o de grupo de caretas e mascarados entrando de casa em casa nos dias de carnaval numa demonstração de que Maragogipe sempre foi uma cidade ordeira e hospitaleira.

No inicio da década de 1950 com a Associação Atlética e o Radio Club realizando bailes à fantasia para seus associados o carnaval de rua na cidade perdeu animação só retornando em 1955 quando foi criado o Trio Oriente de Dica, Quinande e Cândido que trouxe uma dinâmica nova para o nosso carnaval.

Com o “O Trio de Dica” o carnaval de rua na cidade ganhou movimentação e animação. Mas, quando o trio passou a sair para tocar em outras cidades novamente o nosso carnaval perdeu força, apesar de manter a velha tradição dos mascarados e das fantasias artesanais que levaram o nosso carnaval a ser tombado como bem imaterial. A propósito da saída do trio para tocar em outras cidades ocorria uma coisa singular em Maragogipe. Na quarta-feira quando o trio retornava os foliões locais esperavam o trio na entrada da cidade e então faziam um novo carnaval na quarta-feira de cinzas.

Alegando falta de recursos para manutenção do carnaval alguns Prefeitos tentaram mudar o carnaval de Maragogipe. Assim, na década de 1970 houve a primeira tentativa com a Prefeitura criando um “trio Municipal” não deu certo, pois o população além de não prestigiar o trio criado ainda o apelidou de “me raspe” e o mesmo morreu no nascedouro. Na década de 1990 nova tentativa foi feita alegando custo alto para a manutenção da festa, propondo-se mudar o nosso carnaval para a época das micaretas das outras cidades também não deu certo. Uma tentativa mais ousada ocorreu na entra do novo milênio e em 2002 a PMM anunciou que não haveria Carnaval e sim micareta e a grande surpresa foi que a população tomou a si e nos dias dom carnaval Maragogipe realizou seu carnaval tradicional, motivando o sepultamento da ideia em definitivo.

Após todos os altos e baixos o Carnaval de Maragogipe permaneceu firme e forte e finalmente em 2009 foi tombado pelo IPAC como patrimônio Imaterial da Bahia, vale ressaltar que depois dos estudos realizados para a comprovação da originalidade, alegria e tradição do Carnaval de Maragogipe.

No momento esperamos que a população uma vez mais mostre seu jeito de hospitaleira  e participe dessa festa com animação deixando claro que é uma  gente que sabe  “conservar a tradição dos mascarados, pelas formas artesanais de produzir fantasias, de patrocinar o riso e promover a representação da vida cotidiana”.

No mais é esperar o Carnaval chegar para ser feliz no Carnaval da Cidade das Palmeiras.

 

Abílio Ubiratan

Jan/2024