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Panorâmica de Maragogipe

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

PRESO PELO CABRESTO

 


Há pessoas que não conseguem viver  sem praticar pequenos furtos e passam pela vida com este costume, outros porém, desenvolvem o mesmo hábito roubando grandes quantias para si e para os seus fato muito comum hoje em dia.Há muito tempo houve um furto que chamou a atenção da população de nossa Cidade e que por muito tempo foi motivo de comentários pelo desfecho do mesmo.Um rurícola, certo dia, transitando por estrada deserta achou por bem invadir um sítio da vizinhança no qual um pequeno industrial local criava cavalos de raça. Percebendo que não havia ninguém por perto explorou a região e encontrou os arreios usados para as alimárias ali criadas, todas de requintado padrão como bem mostravam os arreios encontrtados.. Não pensou duas vezes: surrupiou os mesmos e desapareceu na primeira curva da estrada.O proprietário ao saber do ocorrido procurou a delegacia e registrou  um BO como se diz hoje em dia. A polícia por sua vez começou a investigar e também logo encontrou pista do gatuno. O empresário roubado sabendo do êxito da polícia procurou o delegado e citou a sua sentença: gostaria que o desafortunado quando fosse preso entrasse na cidade caminhando  e com o cabresto na cara como seu fosse um cavalo ou  burro. E, como sempre acontece:"quem tem mais, manda mais" certa manhã, caminhando com o cabresto como queria o empresário o ladrão veio da Rua do Rio até o Paço Municipal, onde ficava a cadeia preso pelo cabresto que roubara dias antes.Certo é que diante de tamanha profanação da criatura humana comparando-se com os dias atuais, hoje em dia roubam milhões e quando pegos nem algema se pode colocar mesmo que o dinheiro tenha sido roubado da merenda escolar ou dos remédios do SUS. Triste tempo, o nosso!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

ESPERANDO O CARNAVAL III

 


PEQUENAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CARNAVAL

 

O carnaval surgiu, na Europa, a partir do sec. XI  com a implantação da Quaresma pela Igreja Católica. A Quaresma deveria durar quarenta dias e começar  na quarta-feira de cinzas. Foi ai então que surgiram as diversas manifestações festivas antecedendo essa quarta-feira que dava início a um período de abstinência aos prazeres da carne e jejum.

O carnaval na maioria dos lugares em que é realizado tem duração de três dias. Esse carnaval antes de ser como conhecemos hoje, passou pelo entrudo que consistia em uma brincadeira muitas vezes de mau gosto, pois aproveitava-se para jogar nas pessoas não somente água de gamela e água de cheiro, usadas no princípio,  mas todo tipo de substâncias malcheirosas e até nocivas o que levou as autoridades a proibir por um bom tempo as folias de ruas, ficando a festa restrita aos bailes de fantasias e mascarados em locais fechados, dando origem aos clubes carnavalescos. Depois as autoridades passaram a incentivar os mascarados de rua que foram adotados pelo comércio e o carnaval tomou impulso e ganhou todo o estado.

O carnaval de Maragogipe deve ser considerado sob o aspecto sociológico para que se possa entender a sua autenticidade. A cidade de Maragogipe  foi uma cidade com uma população de operários muito grande em razão da presença das duas fábricas de charutos Dannemann e Suerdieck. Essa gente não tinha recursos para serem gastos com fantasias, assim, improvisava-se de todas as formas nos dias de carnaval para não se perder a festa. Utilizavam roupas velhas, sacos de embalagem de fumo, de farinha, de cimento, jornais velhos para as máscaras, folhas e outros materiais. Em um passado não muito distante, quando vivemos no século passado um período  ditatorial, os jornais de resistência àquele governo, quando não distribuídos eram utilizados na confecção de máscaras e cabeçorras.

Atualmente o carnaval de Maragogipe, já consolidado como um dos melhores carnavais do interior da Bahia, pela sua autenticidade e animação, é tombado como Patrimônio Imaterial da Bahia. Todos os anos mais e mais pessoas visitam Maragogipe nos dias de Carnaval e podem sentir o quanto o povo da hospitaleira cidade de Maragogipe preserva suas tradições e faz dessa festa uma grande e animada festa popular.

Abilio Ubiratan

 

Maio/2010.

 

 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

ESPERANDO O CARNAVAL II

 


Carnaval de Maragogipe no tempo

 

“Maragogipe ainda conserva a tradição dos mascarados, pelas formas artesanais de produzir fantasias, de patrocinar o riso e promover a representação da vida cotidiana”.

 

Na década de 1920, para fixarmos os cem últimos anos, foram memoráveis os inúmeros cordões, inclusive de mulheres, que se deleitavam aos prazeres da vida terrena, alem da pompa dos clubes: Amigos do silencio e Deustch club (clube dos alemães), do bloco dos caipiras, do Rancho do jacaré e do concurso da filarmônica Dois de Julho, este direcionado à elite maragojipana. 

 Na década de 1930, nota-se,  nas ruas de Maragogipe, os cordões das Hespanholas, Assustados e dos Nagôs; ternos da Esperança, Marujas, Bonecas, Turcas e A Fauna; rancho do Macação, mascarados, pierrôs, colombinas e, ainda, passeatas promovidas pelas filarmônicas locais..

 A presença de inúmeros mascarados, em grupos ou isolados, na década de 1950, entrado nas casas, era muito comum. Foram registrados nessa época os blocos: Tiro ao Alvo (composto apenas por mulheres), um outro organizado pelo Sr.Vicente Peixoto e o das Garrafas. Também nessa época eram realizados bailes à fantasia na sede da Filarmônica Dois de Julho, Associação Atlética e Radio Clube. Também na mesma época tínhamos o Trio Elétrico Maragós de Dica e o bumba-meu-boi do Angelo “inspetor”. Á  medida em que os bailes em clubes ganham visibilidade, os cordões e blocos, ranchos e ternos vão desaparecendo.

 Para que não haja perda desse aspecto dos carnavais do passado é preciso que haja incentivo à população local para a valorização e fortalecimento da memória cultural e histórica desse aspecto do nosso carnaval, não deixando que desapareça uma simbologia que está ficando esquecida.

 A população de Maragogipe precisa ser estimulada a buscar a memória coletiva em sua história oral ou documental, no sentido de resgatar uma expressão cultural que vem se perdendo no tempo: mandus e máscaras produzidas a partir da técnica do papel maché.

 O Carnaval de Maragogipe tem sua peculiaridade no uso de máscaras e alegorias artesanais e “bandas de sopro”, tradição que deve permanecer em sua essência, espontânea e singular.

 Observação: o primeiro Carnaval de Maragogipe foi em 1897 por  iniciativa da Terpsicore que na ocasião criou o Club Carnavalesco Filhos da Terpsicore.

 

 ABILIO UBIRATAN/fev/2023