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Panorâmica de Maragogipe
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023
ESPERANDO O CARNAVAL III
O carnaval surgiu, na Europa, a partir do sec. XI com a implantação da Quaresma pela Igreja
Católica. A Quaresma deveria durar quarenta dias e começar na quarta-feira de cinzas. Foi ai então que
surgiram as diversas manifestações festivas antecedendo essa quarta-feira que
dava início a um período de abstinência aos prazeres da carne e jejum.
O carnaval na maioria dos lugares em que é realizado
tem duração de três dias. Esse carnaval antes de ser como conhecemos hoje,
passou pelo entrudo que consistia em uma brincadeira muitas vezes de mau gosto,
pois aproveitava-se para jogar nas pessoas não somente água de gamela e água de
cheiro, usadas no princípio, mas todo
tipo de substâncias malcheirosas e até nocivas o que levou as autoridades a
proibir por um bom tempo as folias de ruas, ficando a festa restrita aos bailes
de fantasias e mascarados em locais fechados, dando origem aos clubes
carnavalescos. Depois as autoridades passaram a incentivar os mascarados de rua
que foram adotados pelo comércio e o carnaval tomou impulso e ganhou todo o
estado.
O carnaval de Maragogipe deve ser considerado sob o
aspecto sociológico para que se possa entender a sua autenticidade. A cidade de
Maragogipe foi uma cidade com uma
população de operários muito grande em razão da presença das duas fábricas de charutos
Dannemann e Suerdieck. Essa gente não tinha recursos para serem gastos com
fantasias, assim, improvisava-se de todas as formas nos dias de carnaval para
não se perder a festa. Utilizavam roupas velhas, sacos de embalagem de fumo, de
farinha, de cimento, jornais velhos para as máscaras, folhas e outros materiais.
Em um passado não muito distante, quando vivemos no século passado um
período ditatorial, os jornais de
resistência àquele governo, quando não distribuídos eram utilizados na
confecção de máscaras e cabeçorras.
Atualmente o carnaval de Maragogipe, já consolidado
como um dos melhores carnavais do interior da Bahia, pela sua autenticidade e
animação, é tombado como Patrimônio Imaterial da Bahia. Todos os anos mais e
mais pessoas visitam Maragogipe nos dias de Carnaval e podem sentir o quanto o
povo da hospitaleira cidade de Maragogipe preserva suas tradições e faz dessa
festa uma grande e animada festa popular.
Abilio Ubiratan
Maio/2010.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2023
ESPERANDO O CARNAVAL II
“Maragogipe ainda conserva a tradição dos mascarados, pelas formas
artesanais de produzir fantasias, de patrocinar o riso e promover a
representação da vida cotidiana”.
Na
década de 1920, para fixarmos os cem últimos anos, foram memoráveis os inúmeros
cordões, inclusive de mulheres, que se deleitavam aos prazeres da vida terrena,
alem da pompa dos clubes: Amigos do silencio e Deustch club (clube dos
alemães), do bloco dos caipiras, do Rancho do jacaré e do concurso da
filarmônica Dois de Julho, este direcionado à elite maragojipana.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2023
ESPERANDO O CARNAVAL I
O GRUPO DAS ALMAS DE MARAGOGIPE
Desde tempos imemoriais o homem busca uma explicação
para a morte. Nessa busca nunca se dá por satisfeito e aí então, procura de
alguma forma achar um jeito de conformação, pois tem certeza de que está diante
de um fato irreversível.
Temos aqueles que se conformam com sua condição de mortal
e por outro lado temos também os que até debocham dessa situação. É dentro
desse grupo que estão os que até nos folguedos carnavalescos brincam com a
situação.
Brasil a fora existem manifestações folclóricas que mostram
essa nossa observação. No carnaval existem pessoas que dão preferência para as
caretas que são réplicas de caveiras, de bruxas, de monstros e outros
personagens que de alguma forma estão ligados ao desconhecido, ao sobrenatural.
O bloco das almas de Maragogipe tem esse propósito. Sempre foi um grupo que
busca mexer com o sentimento de medo de alguns a cerca da morte e de entes
sobrenaturais. Não é que pretendam desmerecê-la. Não, é uma forma de demonstrar
uma aceitação daquilo que está reservado para todos os seres vivos.
O grupo das almas propositadamente reúne seus
membros e organiza o corteja na porta do cemitério local para percorrer a
cidade quando boa parte dos moradores já
está dormindo. Não resta dúvidas que essa atitude traz um pouco mais de receio
entre as crianças, especialmente.
A indumentária é constituída basicamente de um pano
branco que cobre o folião e que tem apenas dois orifícios para os olhos. No percurso não é permitido conversar nem falar,
apenas gemer e soltar uis, enquanto uma matraca e o bombo vão enchendo o espaço
com seus sons específicos.
Em meio aos figurantes, nunca deve faltar, um
personagem que tenha traje diferente e que coberto de trapos, esse sim, deve
ter como mascara uma figura que cause medo nas pessoas pelas suas feições de
ente sobrenatural. Na maioria das vezes esse careta tem os trajes que habita a
mente da maioria das pessoas sobre a figura do diabo.
Na época que em Maragogipe existiam os clubes
sociais Associação Atlética e Radio Club, o grupo das almas fazia uma visita a
estes clubes que já estavam realizando o baile de abertura do carnaval, no sábado
de carnaval, logo depois de percorrer toda a cidade e retornar para a praça
principal. Assim é que se ficava
conhecendo os componentes do grupo das almas, pois nessa ocasião descobriam-se
e recebiam os aplausos dos presentes.
Abílio Ubiratan
Texto editado em maio/2010.


