Imagem em destaque

Imagem em destaque
Panorâmica de Maragogipe

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

CARNAVAL ESTÁ ´PRÓXIMO

 MARAGOGIPE

ESSÊNCIA VIVA DE ANTIGOS CARNAVAIS

 O carnaval é a festa popular mais antiga que temos notícia. Historiadores famosos afirmam que o Carnaval ao longo do tempo tem se apropriado das festas populares que existiram desde a antiguidade e que o mesmo tem traços herdados das grandes bacanais do império greco-romano, a exemplo das que eram realizadas com o culto a Dionísio e com o culto a Baco.

A partir da Idade média, época em que o Cristianismo se consolidou e estabeleceu a quaresma, veio como consequência que os dias anteriores à quaresma aproveita-se para extravasar os impulsos da carne, daí a expressão “carne vale” que deu origem ao termo carnaval, sendo que nesse período todos deviam obedecer ao período de 40 dias de jejum e abstinência, anterior à semana da paixão.

No princípio não havia o carnaval nos moldes que temos hoje. Havia o entrudo, ocasião em que as pessoas usavam todo tipo de líquido para molharem umas às outras. Essa brincadeira descambou para o uso de todo tipo de líquido levando as autoridades a proibirem o entrudo. Assim, só nos palácios e nos conventos era permitido o entrudo e o uso dos limões feitos de parafina e que traziam no seu interior água de cheiro.

Foram os colonizadores portugueses que trouxeram o entrudo para o Brasil. E essa brincadeira perdurou por muitos anos até ser proibido pelas autoridades, a pedido da igreja,  em razão dos rumos que a brincadeira tomou como mencionado acima, pois aquela brincadeira de jogar água umas nas outras, saiu do controle a tal ponto que se usava todo tipo de liquido levando o entrudo a ser combatido e depois proibido. Nessa época o entrudo era permitido apenas nos palácios e nos conventos.

Por outro lado na Europa já eram realizadas as grandes festas com fantasias, máscaras, carros alegóricos muito luxo e requinte e os centros mais visíveis dessas celebrações foram  Paris, Nice, Veneza, cujos modelos foram copiados pelo mundo todo onde se realizava carnaval.

O Rio de janeiro foi quem primeiro realizou carnaval no Brasil em meados do séc. XIX. Não com o requinte europeu, mas um carnaval popular com blocos, mascarados e fantasias. Algum tempo depois foram introduzidos os carros alegóricos que evoluíram e deram origem as escolas de sambas como conhecemos hoje.

Em Salvador o carnaval teve início logo depois do Rio de janeiro com a criação dos clubes carnavalescos. Nessa época como o entrudo estava proibido começou a aparecer nas ruas os primeiros mascarados e fantasiados, ai então o comércio de Salvador passou a incentivar o povo e os foliões ganharam as ruas da velha capital e o final dessa história todos conhecemos: o carnaval de rua de Salvador está inscrito no livro dos recordes.

Em nossa cidade com a fundação do Bloco Filhos da Terpsycore, no ano de 1897 segundo o Jornal Nova Era que circulava na cidade, oficialmente deu-se início ao carnaval de Maragogipe, já que antes se fazia o entrudo e do qual não dispomos de dados oficiais.

Nesse meio tempo surgiu a Filarmônica 2 de Julho (1886) que passou  também a realizar bailes de carnaval em sua sede para seus adeptos.

Na década de 1920, foram memoráveis os inúmeros cordões, inclusive de mulheres, que se deleitavam aos prazeres da vida terrena, além da pompa dos clubes: Amigos do silencio e Deutsche Club (clube dos alemães); do bloco dos caipiras; do Rancho do jacaré e do concurso da Filarmônico Dois de Julho, este direcionado à elite maragogipana. 

Na década de 1930, nota-se,  nas ruas de Maragogipe, os cordões das Espanholas, dos Assustados e dos Nagôs; ternos da Esperança, Marujas, Bonecas, Turcas e A Fauna; rancho do Macacão, e mais mascarados, pierrôs, colombinas e, ainda, passeatas promovidas pelas filarmônicas locais.

A presença de inúmeros mascarados, em grupos ou isolados, na década de 1950, entrado nas casas, era muito comum em nossa cidade. Foram registrados nessa época os blocos: Tiro ao Alvo (composto apenas por mulheres), um outro organizado pelo Sr.Vicente Peixoto e o das Garrafas. Também nessa época eram realizados bailes à fantasia, com muito luxo e animação, nas sedes da Filarmônica Dois de Julho, Associação Atlética e Radio Clube.

Foi no ano de 1955 que surgiu o Trio Elétrico Oriente, depois batizado de Maragós, sob o comando de Dica e contando com Quinande e Mestre Candido, dando uma dinâmica nova ao nosso carnaval. Vale salientar ainda a presença  na mesma época do bumba-meu-boi de Sr. Angelo “inspetor” e a burrinha que eram presenças no Carnaval de Maragogipe.

Na cidade existiam dois clubes sociais: o Radio Clube (antigo clube dos alemães) e a Associação Atlética Maragogipana que com Filarmônica Dois de Julho realizavam bailes para seus associados em suas sedes como já mencionamos acima. Então à medida que esses bailes iam ganhando visibilidade o carnaval feito por blocos e cordões perderam sua força, mas as máscaras e fantasias se mantiveram entre a população mais humilde que utilizava de todo tipo de material: roupas usadas, papel, papelão, folhas e outros materiais para não deixar de participar da folia do carnaval nas ruas.

Por fim fica nossa sugestão para que não se perca esse aspecto dos carnavais do passado, pois, é preciso que haja incentivo à população local visando a valorização e fortalecimento da memória cultural e histórica e os aspectos do nosso carnaval sejam preservados e não desapareça a simbologia que, infelizmente, está sofrendo modificações dando margem ao aparecimento de máscaras e fantasias industrializadas que não guardam relação com a tradição do nosso carnaval.

A população de Maragogipe precisa ser estimulada a buscar a memória coletiva em sua história oral ou documental, no sentido de resgatar sua expressão cultural que vem se perdendo no tempo como por exemplo os mandus e as máscaras e fantasias produzidas de forma rigorosamente artesanal que devem merecer um julgamento à parte como forma de valorização dessa forma primitiva de produzir o riso e a alegria tão próprios da gente maragogipana.

O Carnaval de Maragogipe,  Patrimônio Imaterial da Bahia,  preservando as “bandas de sopro” e o uso de máscaras e alegorias artesanais mantém uma tradição que representa sua essência, espontânea e singular, marcas da cultura da cidade.

  • Como colocação final lembramos que no ano em curso, por força da pandemia não tivemos carnaval. E apesar de muitos ainda estarem lastimando, sabemos que isso foi preciso. Então, conhecendo a índole alegre e festeira de nossa gente afirmamos que nosso carnaval não morreu. Fizemos uma parada para juntar forças e no próximo ano voltarmos com força renovada. E, quando o carnaval de 2022 chegar a ordem é: pegue sua alegria e vista uma fantasia para em Maragogipe brincar o maior Carnaval do interior porque “Maragogipe ainda conserva a tradição dos mascarados, pelas formas artesanais de produzir fantasias, de patrocinar o riso e promover a representação da vida cotidiana”.

Benedito Jorge Carneiro de Carvalho

(Texto escrito em tempo de pandemia (fev/2022) 

 

   


terça-feira, 20 de dezembro de 2022

O bumba meu boi

 


O folguedo popular chamado de “bumba meu boi” foi introduzido no Brasil a partir do sec. XVIII no nordeste, a partir de Pernambuco e espalhou-se por toda região. Os primeiros registros históricos constam do ano de 1840 estando associado ao ciclo do gado.

Contam os historiadores que o folguedo nasceu em razão de um casal escravos  matarem um boi do seu senhor e que ao serem descobertos tudo fizeram para ressuscitar o animal sem obter sucesso.

Em nossa cidade já foi frequente a presença do “Bumba meu boi” nas festas mais animadas exemplo de carnaval e “Festa de Agosto”, com presença no recinto da festa, animando os “brincantes” como eram chamados os que participavam da brincadeira. É bom lembrar ainda que essa manifestação popular tinha suas músicas próprias a exemplo daquele samba cuja letra era:

“Levanta meu boi janeiro

Sacode o chocalho e vem

Que a Dona da Casa samba

E a filha samba também”

Evidente que com o costume de se fazer músicas com duplo sentido esta também sofria mudanças no decorrer da apresentação por parte dos presentes, como ocorre ainda hoje com as músicas da lavagem.

Na década de 60, o “Bumba meu boi” em Maragogipe ficava a cargo do Sr. Angelo Inspetor, artesão de larga experiência que construía o boi e organizava o grupo para as apresentações, sem ajuda dos poderes públicos  omissos sempre naquela época.

Ultimamente temos visto algumas vezes um “bumba meu boi” nas ruas da cidade, mas, muito distante daqueles que organizava o mestre “Agelo Inspetor”. Aproveitamos para render nossa homenagem a este  maragogipano.

Quanta saudade dos velhos tempos!

 

Por Abílio Ubiratan

Fev/2020

 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

LANÇAMENTO DO LIVRO "O CRISTOMENISMO"

Na noite do último sabado, contando com grande número de maragogipanos, foi lançado o livro "O CRISTOMENISMO" de autoria da Profa. Marta Bandeira. Trata-se de uma obra sobre a Filosofia de Amor que pela grandeza do conteúdo recomendamos sua leitura a todos que acreditam nos ensinamentos de JESUS.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

PAU DE SEBO

 

Foto ilustrativa da internet
 

Muitas das manifestações populares que foram incorporadas à vida dos brasileiros na época do Brasil colônia, trazidas pelos colonizadores portugueses, uma se espalhou pelo Brasil afora, desaparecendo em alguns lugares e se mantendo em outros. Em nossa cidade ocorreu o seu desaparecimento.

Estamos falando do pau de sebo. Os menores de trinta e cinco anos, por exemplo, nunca viram e nem tiveram notícia dessa brincadeira que até o inicio da década de 80, era realizada na quarta feira depois da festa de nosso Padroeiro – São Bartolomeu.

A brincadeira consistia em um pau roliço com média de 12 metros de comprimento, ensebado e untado com óleo ou outra substancia gordurosa de forma a ficar muito escorregadio, sendo fincado no centro da área em frente à casa Paroquial, onde está o jardim. No alto era colocado o prêmio que consistia em uma coleção de brindes ofertados pelos comerciantes e até dinheiro vivo.

Na tentativa de conseguir chegar ao prêmio os participantes usavam uma série de artifícios, trepavam uns sobre os outros formando uma escada humana, com o acerto de dividir o prêmio depois. Fato é que a missão era árdua, pois, quando já estavam bem próximo de conseguir o prêmio, os assistentes jogavam fogos de artificio de todo tipo: bombas, coriscos, espadas, foguetinhos e aí tinha que começar tudo de novo para deleite da assistência.

Concorreu para o término da brincadeira em primeiro lugar a urbanização da praça feita pelo Prefeito Teixeira (1983-1988) e depois a determinação das autoridades em por fim àquela brincadeira já que havia, de vez em quando, algumas cenas de violência.

Este depoimento tem a finalidade de guardar para o futuro uma das manifestações que já foi parte da vida dos maragogipanos, mas que, infelizmente saiu do nosso calendário de festas populares.

Abilio Ubiratan

(Em maio/2009)